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Jeremias 14:13-18
13 Disse eu: Ah! Senhor Jeová! Eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar.
14 Disse-me Jeová: Os profetas profetizam mentiras em meu nome. Não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; eles vos profetizam uma visão mentirosa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração.
15 Portanto, assim diz Jeová acerca dos profetas que profetizam em meu nome, acerca desses profetas que eu não enviei e que contudo dizem: Não haverá espada nem fome nesta terra. Esses profetas hão de ser consumidos à espada e à fome.
16 O povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas, porque derramarei sobre eles a sua maldade.
17 Dir-lhes-ás esta palavra: Derramem os meus olhos lágrimas de noite e de dia e não cessem de chorar, porque a virgem, filha do meu povo, sofreu uma grande brecha e foi mui gravemente ferida.
18 Se eu sair ao campo, eis os mortos à espada! Se eu entrar na cidade, eis os enfermos de fome! Porque tanto o profeta como o sacerdote vão rodeando a terra e não têm conhecimento.
Jeremias 14:13-18 explicação
Em Jeremias 14:13-18, Jeremias implora ao SENHOR em nome do povo de Judá, expressando sua preocupação ao dizer: Disse eu: Ah! Senhor Jeová! Eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar (v. 13). Jeremias, que viveu aproximadamente de 626 a.C. a cerca de 582 a.C., observa que outros profetas oferecem palavras de conforto e segurança em vez de um aviso de julgamento. Esses profetas afirmam que Judá não enfrentará a espada (que representa a guerra) nem a fome, apesar da gravidade da rebelião da nação contra o SENHOR. A formação de Jeremias inclui seu papel como um verdadeiro profeta ordenado para falar da iminente conquista babilônica. No entanto, ele se angustia porque outros contradizem sua mensagem prometendo paz em vez das dificuldades que o julgamento de Deus traria.
A resposta de Deus a Jeremias revela a corrupção prevalente entre os líderes religiosos da época, como o SENHOR declara: Disse-me Jeová: Os profetas profetizam mentiras em meu nome. Não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; eles vos profetizam uma visão mentirosa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração (v. 14). Aqui, o SENHOR denuncia os falsos profetas, expondo que suas palavras não carregam autoridade divina. Suas promessas reconfortantes são contrárias às advertências sóbrias que Jeremias tem consistentemente transmitido. Em tempos de escuridão espiritual, Deus frequentemente aborda o uso indevido de Seu nome. Mais tarde no Novo Testamento, Jesus alerta sobre falsos mestres que se vestem como mensageiros inofensivos, mas enganam as pessoas interiormente (Mateus 7:15). O problema de colocar a imaginação humana ou o engano acima da palavra de Deus tem representado perigos por muitas gerações.
O SENHOR então profere um veredito grave contra essas vozes enganosas, proclamando: Portanto, assim diz Jeová acerca dos profetas que profetizam em meu nome, acerca desses profetas que eu não enviei e que contudo dizem: Não haverá espada nem fome nesta terra. Esses profetas hão de ser consumidos à espada e à fome (v. 15). As mesmas calamidades que negam serão o instrumento de sua própria destruição. Por confiarem em suas próprias ilusões, em vez da verdade de Deus, esses falsos profetas acabarão sofrendo o julgamento que insistiam jamais acontecer. Isso revela a gravidade de falar falsamente em nome do SENHOR: aqueles que distorcem Sua palavra assumem uma responsabilidade ainda maior..
Deus descreve ainda as trágicas consequências para aqueles que seguem essa falsa esperança, dizendo: O povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas, porque derramarei sobre eles a sua maldade (v. 16). Jerusalém, a capital do reino do sul de Judá, era um importante centro cultural e religioso. No entanto, mesmo a proeminência desta cidade não a pouparia dos terríveis resultados da impiedade generalizada. A iminente invasão babilônica de 586 a.C. traria exatamente esses horrores sobre o povo. Sua confiança em falsas promessas em vez do verdadeiro arrependimento os deixou despreparados para a destruição.
Falsos profetas são frequentemente mencionados nas Escrituras, pois aparecem com frequência e enganam muitos. O próprio Jesus falará sobre a presença inevitável deles em Seus ensinamentos sobre o fim dos tempos:
“Hão de se levantar muitos falsos profetas e a muitos enganarão”
(Mateus 24:11).
Em resposta a essa realidade e aos demais sinais que antecedem Sua vinda, Jesus ordena que Seus discípulos permaneçam vigilantes (Mateus 24:42). Diante daqueles que propagam mentiras em nome de Deus, Seu povo é chamado a permanecer firme, discernindo o erro à luz da verdade de Sua Palavra.
Continuando em Jeremias 14:17, a angústia pessoal de Jeremias emerge quando ele narra como deveria responder: Dir-lhes-ás esta palavra: Derramem os meus olhos lágrimas de noite e de dia e não cessem de chorar, porque a virgem, filha do meu povo, sofreu uma grande brecha e foi mui gravemente ferida (v. 17). Jeremias às vezes é apelidado de "profeta chorão" porque seu coração está profundamente sobrecarregado pelo sofrimento que ele prevê. A frase "a virgem, filha do meu povo" ressalta a identidade de Judá como preciosa para Deus, mas também devastada por sua própria transgressão. A tristeza que Jeremias sente é tanto compaixão genuína quanto um reflexo do coração partido de Deus por filhos rebeldes.
Por fim, Jeremias 14:18 retrata a desolação que permeia a terra e a liderança fracassada de seus guias espirituais: Se eu sair ao campo, eis os mortos à espada! Se eu entrar na cidade, eis os enfermos de fome! Porque tanto o profeta como o sacerdote vão rodeando a terra e não têm conhecimento (v. 18). Tanto o campo quanto as cidades seriam devastados pela guerra e pela fome. Até mesmo os profetas e sacerdotes, que deveriam conduzir o povo ao SENHOR, vagueiam sem direção, incapazes de oferecer uma palavra verdadeira da parte de Deus. Esse severo julgamento revela que a rejeição da verdade divina conduz toda a nação à ruína. Ao longo da história, e mesmo agora, Deus chama Seu povo para longe da corrupção e de volta à confiança em Sua palavra e em Seu propósito redentor.