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Provérbios 26:13-16 explicação

O preguiçoso multiplica desculpas, evita o movimento e se cansa até mesmo em tarefas simples, enquanto ainda se imagina mais sábio do que homens de bom senso. Sua preguiça só é comparável à sua autoilusão.

Provérbios 26:13-16 inicia uma nova unidade sobre o preguiçoso, retomando a figura mencionada em capítulos anteriores: O preguiçoso diz: Há um leão no caminho, um leão está nas ruas (v. 13).

O preguiçoso diz... Novamente, o verso gira em torno do que sai de sua boca. Suas desculpas revelam sua condição.

Há um leão no caminho, um leão está nas ruas. A objeção é a mesma de Provérbios 22:13, aqui intensificada. Ele invoca um leão no caminho e outro nas ruas, duplicando o perigo imaginário para justificar a permanência em casa. A repetição mostra que as desculpas do preguiçoso tendem a se intensificar. Quanto mais tempo ele se recusa a trabalhar, mais elaboradas se tornam as razões que ele precisa inventar para manter a recusa.

Em seguida, vemos uma imagem vívida de dobradiça: Como a porta se revolve sobre os seus gonzos, assim o preguiçoso sobre o seu leito (v. 14).

A porta se revolve sobre os seus gonzos. Uma porta se move para frente e para trás, pivotando no mesmo ponto fixo. Ela se move, mas não vai a lugar nenhum. A dobradiça é o seu limite.

Assim o preguiçoso sobre o seu leito. Ele se vira, acomoda-se do outro lado, ajeita o travesseiro, mas não se levanta. Sua cama é sua dobradiça. Qualquer movimento que ele faça jamais o leva para o mundo onde o trabalho precisa ser feito. A imagem de Salomão é inesquecível porque captura algo que todo leitor já viu, nos outros ou em si mesmo: o movimento aparentemente ocupado que não leva a lugar nenhum.

O versículo 15 escurece o quadro: O preguiçoso mete a mão no prato; difícil lhe é reconduzi-la à boca (v. 15).

O preguiçoso mete a mão no prato. Ele estendeu a mão para pegar comida, até conseguiu colocar a mão na comida, o que representa a primeira metade do trabalho de comer, mas então ele se cansa de levá-la à boca novamente. O movimento restante, levantar a mão do prato até a boca, o exaure.

A imagem é um exagero grotesco com uma mensagem séria: a preguiça do preguiçoso pode se estender até mesmo ao movimento básico necessário para se alimentar. O versículo adverte o leitor sábio de que a ociosidade, quando prolongada, atrofia até mesmo a mais simples capacidade de ação. Compare com Provérbios 19:24, que apresenta a mesma imagem.

Finalmente, Salomão menciona a autoimagem do preguiçoso: Mais sábio é o preguiçoso aos seus olhos do que sete homens que sabem responder bem (v. 16).

Mais sábio é o preguiçoso aos seus olhos  A frase ecoa o versículo 12, a pior qualidade do preguiçoso não é apenas a sua ociosidade, mas a autossatisfação que a defende, ele se considera sábio.

Mais do que sete homens que sabem responder bem. Sete, o número da plenitude, representa um círculo completo de conselheiros sábios. O preguiçoso, em sua própria avaliação, supera todo o conselho. Ele já chegou às suas conclusões sobre si mesmo, seu trabalho, suas habilidades e sua relação com a sabedoria, e nenhum número de sábios pode corrigir o que ele já estabeleceu. O versículo nomeia o pecado mais profundo por trás da ociosidade: uma certeza autoconfiante que resiste a todo esforço para responsabilizá-lo.