21 Não comereis a carne de um animal que morre por si. Poderás dá-la ao peregrino que está das tuas portas para dentro, para que a coma, ou poderás vendê-la ao estrangeiro; porque és povo santo a Jeová, teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
Deuteronômio 14:21 explicação
A última lei dietética desta passagem impede os israelitas de comer animais encontrados já mortos. Moisés declara que o povo não deveria comer nada que morresse naturalmente. Um animal que morre naturalmente não teve seu sangue devidamente drenado da forma que o Deus Susserano (Governante) exigia (Levítico 17:14; Deuteronômio 12:16). Os israelitas foram proibidos de comer esses animais.
No entanto, a carne de um animal morto era perfeitamente aceitável para pessoas que não faziam parte da aliança de Deus. O povo foi autorizado a dá—lo aos estrangeiros que estão em sua cidade, para que possam comê—lo. Um estrangeiro (hebraico "gēr") era um não—israelita que residia na terra de Israel, tornando—a seu lar permanente. Ele ou ela pode ter fugido de sua terra natal por razões políticas ou econômicas e muitas vezes eram pobres e necessitados (Deuteronômio 1:16; 5:14). A pessoa era tipicamente vista como um prosélito, alguém nascido fora de Israel, mas por escolha vivia entre os israelitas e seguia seus caminhos (Deuteronômio 31:12).
Eles também poderiam vender a carne a um estrangeiro. O termo “estrangeiro” (hebraico "nokrî") refere—se a alguém que tinha um lar permanente em outro país, mas poderia estar viajando dentro das fronteiras de Israel. O estrangeiro muitas vezes viajava a Israel para fins comerciais e, assim, era capaz de cuidar de si mesmo. Isso explica por que Moisés ordenou aos israelitas que vendessem o animal morto a um estrangeiro.
A razão pela qual os israelitas não deviam comer a carne de animais mortos era porque eles eram o povo santo para o Senhor, seu Deus. O termo “santo” (hebraico "qādôsh") refere—se àquilo que é separado para um propósito específico. Implica uma separação do profano — aquilo que era usado para fins comuns. Os israelitas eram santos porque o santo Deus Susserano os havia elegido como Seus vassalos e separado para Seu propósito especial. Assim, os israelitas deveriam refletir o status santo que Deus lhes havia conferido de todas as maneiras, incluindo, é claro, ingerir uma dieta adequada.
No final do versículo, Moisés ordena a Israel que não fervesse uma cabra jovem no leite de sua mãe, uma ordem que também ocorre em Êxodo 23:19 e 34:26. O significado deste texto é motivo de debate. Pode significar que, nos tempos antigos, as pessoas consideravam a carne cozida em leite azedo como altamente desejável e sofisticada, porque tinha um sabor melhor do que a carne fervida em água. Também pode ter sido proibido por ser um ritual de fertilidade pagã. Ou pode significar que algo que promoveu a vida (o leite materno) não deveria ser usado para destruir a vida. De qualquer forma, trata—se de uma imagem perversa — uma jovem criatura cozida naquilo que foi projetado para alimentá—la (o leite de sua própria mãe).