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Jeremias 11:6-8
6 Disse-me Jeová: Proclama todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança e observai-as.
7 Pois com instância protestei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito até o dia de hoje, levantando-me cedo e protestando: Obedecei à minha voz.
8 Contudo, não obedeceram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram, cada um, na obstinação do seu mau coração; portanto, fiz vir sobre eles todas as palavras desta aliança, as quais lhes ordenei que observassem, porém não as observaram.
Jeremias 11:6-8 explicação
Em Jeremias 11:6-8, Jeremias é enviado para levar o aviso da aliança de Deus a todos os bairros de Judá. O SENHOR ordena que ele fique nas ruas e convoque o povo de volta aos termos básicos do acordo: Disse-me Jeová: Proclama todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança e observai-as (v. 6). Em primeiro lugar, a mensagem é pública, não oculta. Deus quer que Seu aviso seja conhecido, para que Seu povo receba um caminho para retornar a Ele. As “cidades de Judá” fazem referência às cidades montanhosas ao sul de Benjamim, locais fortificados como Laquis e centros agrícolas menores espalhados ao longo de serras e vales. As “Ruas de Jerusalém” apontam para as vias pavimentadas com pedras que irradiavam do monte do templo através dos distritos de mercado e portões da cidade. Deus quer que a aliança seja praticada onde a vida acontece, não apenas no templo. A ordem, Ouvi as palavras desta aliança e observai-as (v. 6), ecoa o padrão de Deuteronômio: ouvir resulta em obediência (Deuteronômio 6:4-5; 30:11-14). Historicamente, esse oráculo provavelmente se aplica após a reforma de Josias (c. 622 a.C.) e durante os reinados de Jeoacaz/Jeoaquim (609-598 a.C.), quando o livro da aliança foi encontrado, lido e brevemente observado, apenas para ser novamente negligenciado (2 Reis 22-23).
Deus lembra a Judá que o chamado para ouvir não é novo: Pois com instância protestei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito até o dia de hoje, levantando-me cedo e protestando: Obedecei à minha voz (v. 7). A expressão “com instância protestei” retrata literalmente a imagem de Deus “levantando-se cedo”, uma maneira vívida de comunicar Sua persistência em falar ao Seu povo: primeiro por meio de Moisés e, ao longo dos séculos, por meio de Seus profetas (Jeremias 7:13, 25). A mensagem é simples e direta: “Ouvi a minha voz”. Esse imperativo está no centro da identidade de Israel (Deuteronômio 6:4). O mesmo fio condutor alcança o Novo Testamento, quando o Pai declara na Transfiguração: “Este é o meu Filho amado... a ele ouvi” (Mateus 17:5), e o próprio Messias identifica Seu povo como aqueles que ouvem a Sua voz (João 10:27). A vida da aliança nasce da resposta à voz de Deus antes de qualquer expressão ritual; é relacionamento antes de ser cerimônia.
A história de Judá, no entanto, é uma história de resistência: Contudo, não obedeceram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram, cada um, na obstinação do seu mau coração; portanto, fiz vir sobre eles todas as palavras desta aliança, as quais lhes ordenei que observassem, porém não as observaram (v. 8). A palavra hebraica para “obstinação” (shĕrîrûth) descreve uma postura endurecida e resistente à correção. Observe a ênfase profundamente pessoal da expressão “cada um”, que impede que a responsabilidade pelo pecado seja diluída na coletividade. Quando um povo se recusa a ouvir, a aliança não se evapora; ela se impõe: “ portanto, fiz vir sobre eles todas as palavras desta aliança, as quais lhes ordenei que observassem, porém não as observaram” (v. 8). “Todas as palavras” lembra as bênçãos e maldições de Deuteronômio 28; como a escuta falhou, as maldições avançam, já vistas na queda do reino do norte para a Assíria (722 a.C.) e logo a atingir o auge sobre Judá sob a Babilônia (586 a.C.). Teologicamente, isso nos leva à promessa posterior de Jeremias de uma Nova Aliança, na qual Deus escreve Sua lei no coração para que ouvir se torne possível e a obediência se torne natural (Jeremias 31:31-34). Em Cristo, o israelita obediente, o "faça e viva" da aliança encontra seu fiel cumpridor (Romanos 5:19), e por Seu Espírito o povo de Deus é capacitado a inclinar seus ouvidos e andar em novidade de vida (Romanos 8:4; Hebreus 8:10).
Jeremias 11:6-8, portanto, estabelece um padrão geracional e uma escolha presente: a palavra de Deus deve ser ouvida e praticada. Geografia e história — ruas, cidades, êxodo e profetas — formam o cenário da revelação, mas o verdadeiro conflito se desenrola no coração humano, onde líderes e pessoas "se levantam cedo" para ouvir a voz do SENHOR, a aliança traz vida; onde os ouvidos permanecem fechados e os pés trilham seu próprio caminho, as palavras de disciplina da aliança chegam com a mesma certeza. A cura não é mais volume de ritual, mas a graça que cria ouvintes e praticantes dispostos.