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Jeremias 13:15-19
15 Ouvi e dai ouvidos; não vos ensoberbeçais; porque Jeová falou.
16 Dai glória a Jeová, vosso Deus, antes que ele faça vir as trevas, e antes que tropecem os vossos pés nos montes tenebrosos, antes que mude a luz em sombra de morte, e a converta em escuridão, estando vós esperando por ela.
17 Mas, se o não ouvirdes, chorará em segredo a minha alma por causa da vossa soberba; os meus olhos chorarão amargamente e se desfarão em lágrimas, porque o rebanho de Jeová será levado cativo.
18 Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, sentai-vos no chão, porque da vossa cabeça já caiu a coroa da vossa glória.
19 Fechadas estão as cidades do Neguebe, e não há quem as abra; Judá, todo ele, é levado cativo, inteiramente cativo.
Jeremias 13:15-19 explicação
Em Jeremias 13:15-19, Jeremias dá continuidade ao sinal do cinto de linho com um apelo urgente ao arrependimento: Judá deve humilhar-se diante do SENHOR antes que o julgamento chegue. O chamado do profeta é simples e direto: Ouvi e dai ouvidos; não vos ensoberbeçais; porque Jeová falou (v. 15). O orgulho tapa os ouvidos; a humildade os abre (Provérbios 16:18; 1 Pedro 5:5). A rejeição de Deus por Israel é continuamente atribuída ao seu orgulho profundamente arraigado. O versículo 15, no entanto, expõe a verdade de que, se o SENHOR, o Deus de toda a criação, falou, só faz sentido ouvir. No versículo seguinte, a frase “Dai glória a Jeová, vosso Deus” (v. 16) é a linguagem do tribunal da aliança para confessar a culpa e honrar o direito de Deus de julgar (Josué 7:19). Se Judá se recusar, a luz que eles presumiam se tornará sombra — "antes que ele faça vir as trevas, e antes que tropecem os vossos pés nos montes tenebrosos, antes que mude a luz em sombra de morte, e a converta em escuridão, estando vós esperando por ela" (v. 16). Jesus ecoará esta urgência: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo nenhum andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida" (João 12:35; João 8:12).
O coração de Jeremias se parte ao mesmo tempo em que ele adverte em Jeremias 13:17: Mas, se o não ouvirdes, chorará em segredo a minha alma por causa da vossa soberba; os meus olhos chorarão amargamente e se desfarão em lágrimas, porque o rebanho de Jeová será levado cativo (v. 17). O “profeta que chora” não se regozija com o julgamento; ele lamenta a cegueira do orgulho (Jeremias 9:1). Suas lágrimas antecipam o Profeta Maior, Jesus, que chorou pela recusa de Jerusalém e predisse seu cerco (Lucas 19:41-44). O título “rebanho de Jeová” ressalta a tragédia: aqueles que pertencem ao SENHOR estão sendo levados porque seus pastores não ouviram (Jeremias 23:1-2). Somente o Bom Pastor pode reuni-los (João 10:11, 16).
Jeremias 13:18 então se dirige ao trono: Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, sentai-vos no chão, porque da vossa cabeça já caiu a coroa da vossa glória (v. 18). Em Judá, a gebirah (rainha-mãe) ocupava uma posição de grande influência na corte. Aqui, ela é chamada, juntamente com o rei, a descer de sua posição de honra e humilhar-se diante de Deus. Muitos estudiosos identificam esse par como o rei Joaquim (que reinou em 597 a.C.) e sua mãe, Neústa, ambos levados cativos para a Babilônia após se renderem a Nabucodonosor (2 Reis 24:8, 12; Jeremias 29:2). Seja essa profecia pronunciada pouco antes ou durante essa crise, sua mensagem é inequívoca: nenhuma coroa terrena pode preservar um povo que se recusa a se humilhar diante do SENHOR (Salmo 75:6-7). O caminho a seguir não é pavimentado pelo poder terreno, mas pela penitência — “Humilhai-vos, sentai-vos no chão” (v. 18).
Finalmente, o julgamento atinge o restante da terra: Fechadas estão as cidades do Neguebe, e não há quem as abra; Judá, todo ele, é levado cativo, inteiramente cativo (v. 19). O Neguebe é a árida região meridional de Judá, bacias desérticas onduladas, pontilhadas de cidades fortificadas que guardam as rotas de caravanas em direção ao Egito e à Arabá (por exemplo, Berseba, Arade, Hormá). Dizer que suas cidades estão “trancadas” representa portões trancados sob cerco e linhas de suprimento rompidas. A frase “ todo ele, é levado cativo, inteiramente cativo” (v. 19) é uma hipérbole profética: as deportações (primeiro em 605 a.C., depois em 597 a.C., finalmente em 586 a.C.) estão praticamente encerradas porque o povo não quer ouvir. Quando a luz da aliança é recusada, o crepúsculo se aprofunda em “escuridão” nas próprias trilhas montanhosas de Judá (v. 16).
Jeremias 13:15-19 coloca duas respostas lado a lado: o orgulho que insiste em sua própria luz e a humildade que glorifica confessando a verdade. Os reis de Israel usaram mal suas coroas; Cristo deixa a Sua de lado (Filipenses 2:6-8). O rebanho de Judá foi levado cativo; Cristo chora pelo rebanho e então liberta os cativos carregando Ele mesmo as trevas (Lucas 22:53; Colossenses 1:13). O chamado permanece: prostre-se diante da escuridão, ande na Luz e deixe que as lágrimas do Pastor nos levem ao arrependimento e à restauração.