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Jeremias 31:35-37 explicação

O cuidado eterno de Deus por Israel permanece firme, assim como a ordem criada permanece infinita em seus ritmos diários.

Em Jeremias 31:35-37, o profeta Jeremias começa nomeando o SENHOR como Criador e Comandante do cosmos: Assim diz Jeová, que dá o sol para a luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para a luz da noite, que agita o mar, de maneira que bramem as suas ondas. Jeová dos Exércitos é o seu nome (v. 35). Ao entrelaçar as luzes do dia e da noite e o mar inquieto em uma única frase, o profeta cita realidades que Israel testemunha diariamente e que não pode alterar. A expressão "ordenanças" evoca um universo governado e regularizado; o título "Jeová dos Exércitos" declara que o Deus que comanda os exércitos celestiais também comanda os ritmos cósmicos.

Esta doxologia não é meramente ornamental, ela tem força de uma declaração solene. Diante das promessas de restauração após um julgamento devastador, o povo poderia duvidar de que elas se cumpririam. Deus, portanto, fundamenta essa segurança não no mérito de Israel, mas em Sua fidelidade como Criador. Tão certo quanto o sol nasce sobre as colinas de Judá e as ondas do Mediterrâneo quebram na costa, tão certo é que o SENHOR cumprirá Suas promessas. No contexto de Jeremias, marcado por cerco, exílio e instituições destruídas — a constância da criação torna-se uma fonte de consolo para aqueles que esperam em Deus.

Com base nesse fundamento, Deus estabelece uma impossibilidade condicional: Se estas ordenanças faltarem diante de mim, cessará também a linhagem de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre (v. 36). A lógica é impressionante. A permanência de Israel diante de Deus, em aliança e chamado, depende da estabilidade do dia e da noite. Visto que a "ordenanças" permanece continuamente diante de Deus, sustentada pela Sua vontade, a condição não pode ser satisfeita; portanto, a nacionalidade de Israel não pode ser anulada.

Isso não minimiza o pecado ou suas consequências. Jeremias narrou um julgamento severo — portões queimados, trono derrubado, líderes deportados. Mas o julgamento é corretivo, não anulativo. Jeremias 31:36 situa o futuro de Israel no caráter de Deus. O mesmo Deus que anteriormente comissionou Jeremias a "arrancar e derrubar" promete aqui edificar e plantar, porque Seus propósitos para Israel vão além da disciplina, abrangendo a renovação (Jeremias 1:10; Jeremias 31:28). À luz da Nova Aliança, Paulo espelha a lógica de Jeremias: apesar da dureza presente, "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Romanos 11:29).

O SENHOR então amplia o quadro retórico com outra impossibilidade: Assim diz Jeová: Se puder ser medido o céu lá em cima, e se puderem ser sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a linhagem de Israel, por tudo quanto têm feito, diz Jeová (v. 37). Os antigos observadores podiam mapear as estrelas e sondar as profundezas, mas medir o céu e investigar os fundamentos da terra ultrapassa exaustivamente o alcance humano. A expressão "por tudo quanto têm feito" (v. 37) reconhece a enorme culpa de Israel e ainda assim nega que essa culpa tenha o poder de apagar a misericórdia eleitora de Deus.

Esta promessa protege duas verdades simultaneamente. Primeiro, a santidade divina: os pecados de Israel não são minimizados por tudo quanto têm feito. Segundo, a fidelidade divina: mesmo pecados multiplicados não podem superar a graça da aliança. A Nova Aliança anunciada anteriormente neste capítulo explica como ambas se sustentam, Deus escreve a Sua lei no coração e não se lembra mais dos pecados (Jeremias 31:33-34). Os cristãos veem isso assegurado em Jesus, o Messias, cujo sangue cumpre essa aliança (Lucas 22:20; Hebreus 8:6-12). Assim, tão imensurável quanto os céus, tão inquebrável é a resolução de Deus de preservar e redimir o Seu povo.