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Salmo 137:1-3 explicação

Esses versículos retratam um povo dolorosamente consciente do que perdeu e determinado a manter sua devoção pura, mesmo no exílio.

Quando o Salmo 137:1-3 começa com o lamento Junto aos rios de Babilônia, ali, nos assentamos, nos pusemos a chorar, ao recordarmo-nos de Sião (v. 1), retrata uma cena vívida de tristeza e perda. O povo de Judá havia sido exilado de sua terra natal, provavelmente por volta de 586 a.C., quando o rei babilônico Nabucodonosor II destruiu Jerusalém, conquistando seus habitantes e levando-os para o cativeiro. A própria Babilônia, localizada na antiga Mesopotâmia, perto do rio Eufrates, no que hoje é o Iraque, ficava muito longe das colinas de Judá. A frase ali, nos assentamos, nos pusemos a chorar ressalta que esta terra estrangeira não oferecia alegria, apenas uma lembrança do que lhes havia sido tirado.

Enquanto estavam sentados junto aos rios, os exilados ansiavam por Sião, uma referência a Jerusalém, a cidade que Deus havia escolhido para Sua morada (2 Crônicas 6:6). Suas lágrimas significam mais do que saudade da pátria; representam um vazio espiritual. Em outras passagens das Escrituras, o anelo por Jerusalém é frequentemente comparado ao desejo pela presença do Senhor. O próprio Jesus chamou a atenção para a importância de Jerusalém como cidade santa, e essa saudade de Sião se conecta profundamente ao tema da separação do santuário do Senhor (Lucas 13:34).

Assim, o versículo 1 destaca a angústia do povo de Deus ao perceber que sua própria desobediência os levou a esse lugar de exílio. Contudo, ainda em meio ao abatimento espiritual, a memória de Sião reaviva a esperança. Suas lágrimas, conquanto amargas, revelam um arrependimento genuíno e a vontade de regressar à terra onde, outrora, cultuavam a Deus com liberdade.

Em seguida, o salmo continua com a comovente imagem: Nos salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas (v. 2). Os salgueiros floresciam ao longo dos rios da Babilônia, seus galhos curvando-se como os espíritos dos exilados. Pendurar suas harpas nessas árvores simboliza sua recusa ou incapacidade de se envolver em louvor alegre, pois o instrumento que antes acompanhava os cânticos de adoração agora está relegado a um segundo plano.

No antigo Israel, música e adoração estavam intrinsecamente ligadas, especialmente nos serviços do templo, onde harpas e liras ressoavam com os salmos. O ato dos exilados de pendurarem seus instrumentos demonstra que eles acreditavam que canções alegres não tinham lugar em uma terra de tristeza. Seus corações estavam pesados demais pela dor para produzir melodias de louvor.

No entanto, o silêncio dos salmistas não indica que Deus esteja distante. Ao contrário, a interrupção momentânea do canto antecipa o anelo pelo restabelecimento. Quando finalmente voltarem a cantar, essas melodias estarão repletas de uma profunda apreciação da misericórdia e fidelidade de Deus (para saber mais sobre como Deus restaura o Seu povo e transforma o seu luto em louvor jubiloso, leia o nosso comentário sobre o Salmo 126:1-3). As harpas eventualmente retornarão às suas mãos, mas, por ora, o lamento é a sua única linguagem.

A amargura do cativeiro se intensifica em pois ali os que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos atormentadores exigiam de nós alegria, dizendo: Cantai-nos das canções de Sião (v. 3). Os opressores babilônios, divertidos com a condição daqueles exilados aflitos, ordenam-lhes, em tom de escárnio, que cantem seus cânticos sagrados. Essa zombaria agrava ainda mais o sofrimento, pois os salmos sagrados de Sião nunca foram destinados a entreter inimigos, mas sim a honrar o Senhor em Seu templo.

O pedido por canções também pode ter sido uma forma de os soldados ou oficiais da Babilônia se regozijarem com sua conquista. Tocar ou cantar uma canção de Sião em uma terra de cativeiro destacava a humilhação do povo, que havia perdido sua soberania e seu templo. OOs deportados defrontavam-se com o dilema de macular sua adoração, executando-a como mero entretenimento, ou recusar-se e sujeitar-se a novos sofrimentos.

Nesses versículos, há uma confissão mais profunda de confiança na justiça de Deus. Embora seus captores exijam alegria, os cativos conservam uma esperança latente de que o Senhor não os desamparou definitivamente. Em meio ao pranto e à lamentação, apegam-se à Sua lealdade, antecipando o dia em que sua adoração não será mais zombada, mas ressoará novamente em Sião com alegria e liberdade (Apocalipse 21:2).