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2 Pedro 3:3-4 explicação

2 Pedro 3:3-4 explica que, antes do retorno de Cristo, as pessoas seguirão seus próprios desejos. Elas zombarão da promessa de Sua vinda, lançando dúvidas sobre sua realização. Argumentarão que nada mudou desde o início da criação. As coisas são como sempre foram.

Em 2 Pedro 3:3-4, Pedro ressalta que nos últimos dias os escarnecedores alegarão que a demora no retorno de Jesus significa que Ele não voltará: sabendo, primeiro, isto, que nos últimos dias, virão escarnecedores com zombarias, andando segundo as suas cobiças e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, tudo permanece como desde o princípio da criação (v. 3-4).

A expressão "sabendo, primeiro" traduz a palavra grega "protos" e indica que o que Pedro está dizendo aqui é de suma importância. Esses zombadores têm o mesmo espírito básico dos falsos mestres. Os falsos mestres seguiam sua sensualidade (2 Pedro 2:2, 18) e estavam cheios de ganância (2 Pedro 2:3). A palavra grega "epithymia", traduzida como "concupiscências ", ocorre outras três vezes em 2 Pedro:

  • 2 Pedro 1:4 fala da “corrupção que há no mundo pelas concupiscências ['epithymia']”
  • 2 Pedro 2:10 fala da “carne em seus desejos corruptos ['epitimia']”
  • 2 Pedro 2:18 fala de “desejos carnais ['epithymia'] pela sensualidade”

O padrão é consistente: Pedro refere-se a concupiscências, que são desejos maus provenientes de nossa natureza pecaminosa. O fato de esses zombadores “seguirem suas próprias concupiscências” significa que estão obedecendo aos seus apetites carnais.

Os crentes são novas criaturas em Cristo, mas ainda temos nossa natureza pecaminosa (2 Coríntios 5:17). Paulo fala de si mesmo como sendo "carne" e propenso ao pecado, chegando a "fazer o que detesto" (Romanos 7:14-15). Paulo exorta os crentes a não "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne, mas, num espírito de amor, sede servos uns dos outros" (Gálatas 5:13). Paulo afirma que andar na carne leva a morder e devorar uns aos outros (Gálatas 5:15).

Pedro afirmará em 2 Pedro 3:15-16 que as cartas de Paulo fazem parte das "Escrituras", então não devemos nos surpreender que ele e Paulo digam as mesmas coisas de maneiras diferentes. Os zombadores terão o mesmo problema básico que os falsos mestres: terão sido capturados pela carne e caído no erro do pecado (2 Pedro 2:18-19).

Pedro deseja que seus leitores entendam que essa zombaria é um sinal de que estamos nos últimos dias. Ele infere que acredita que os últimos dias são o período em que ele está vivendo. Isso nos diria que os últimos dias se referem a um período entre a ascensão de Cristo e Sua segunda vinda à Terra. Este é provavelmente o mesmo período ao qual Paulo se refere como "a plenitude dos gentios" (Romanos 11:25).

É possível que os falsos mestres mencionados por Pedro no capítulo anterior sejam também os “escarnecedores” de quem ele agora fala. Um escarnecedor é alguém que ridiculariza e zomba de outra pessoa ou de uma crença. No contexto desta carta, o alvo do escárnio é Cristo, e a crença ridicularizada é a promessa de Sua vinda à Terra para julgar o mundo.

Vemos em 1 Tessalonicenses 4:13-17 que alguns crentes do primeiro século aguardavam o retorno de Jesus a qualquer momento; quando Ele não veio e alguns irmãos morreram, ficaram preocupados com a ressurreição dos falecidos. De modo semelhante, 2 Tessalonicenses 2:2 relata que outros se deixavam enganar por falsos mestres que afirmavam que Jesus já havia retornado. Já em 2 Tessalonicenses 3:10-11, parece que alguns que esperavam a vinda de Cristo decidiram “abandonar o trabalho”, pois, considerando iminente o retorno do Senhor, deixaram seus ofícios e passaram a viver à custa da generosidade alheia.

Isso nos diz que, no primeiro século, já havia muita discussão e mal entendidos sobre o retorno de Jesus à Terra. Isso é compreensível, visto que Jesus havia deixado a Terra poucos anos antes e os apóstolos ouviram os anjos lhes dizerem que Ele retornaria (Atos 1:11). Além disso, os apóstolos ensinaram que, se a primeira geração de judeus que viu Cristo se arrependesse, Jesus retornaria e estabeleceria os "tempos de refrigério" (Atos 3:19).

Mas estes não são buscadores desejosos de saber e aprender. Em vez disso, são zombadores que virão em busca de suas próprias concupiscências. Isso significa que esses zombadores, em vez de buscarem a verdade, vivem suas vidas controlados por seus fortes desejos pecaminosos. São como aqueles em Filipenses 3:19 cujo "deus é o seu apetite" e, portanto, cuja "glória está na sua vergonha".

O conteúdo de sua zombaria é verbalizado, dizendo: "Onde está a promessa da sua vinda?" (v. 4). Esses zombadores zombavam da Palavra profética ao questionar a realidade da segunda vinda de Cristo (2 Pedro 3:12). A justificativa dos zombadores é a seguinte: "Porque, desde que os pais dormiram, tudo permanece como desde o princípio da criação."

Pedro explica a razão pela qual esses zombadores ridicularizam e questionam a promessa da vinda de Cristo: "Desde que os pais dormiram" refere-se à morte dos patriarcas judeus, desde Adão até Abraão. Os zombadores afirmam que, desde então, tudo continua como desde o princípio da criação.

O argumento deles é que “todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”. Isso implica rejeitar fatos históricos claros, como o dilúvio de Noé, que Pedro mencionará em seguida. Essa postura também antecipa que, no futuro, alguns defenderão que a criação pode ser explicada por processos lentos e graduais ao longo de eras imensas. Essa visão contradiz tanto as evidências observáveis quanto o relato bíblico, como Pedro demonstrará a seguir.

Quer Pedro tivesse ou não em mente os falsos mestres atuais como sendo os escarnecedores dos quais ele falava, em retrospectiva, podemos saber que o Espírito estava falando através dele e nos contando sobre um tempo futuro em que tais escarnecedores viriam; portanto, devemos estar vigilantes e tomar cuidado com suas zombarias, para que não nos enganem (2 Pedro 1:21).