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Jó 40:1-5
1 Prosseguiu Jeová na sua resposta a Jó e disse:
2 Acaso, com o Todo-Poderoso contenderá quem usa de cavilações? Responda a isso quem argui a Deus.
3 Então, respondeu Jó a Jeová:
4 Eis que sou vil; que te hei de responder? Ponho a minha mão sobre a boca.
5 Uma vez falei e não direi mais; sim, duas vezes, porém não prosseguirei.
Jó 40:1-5 explicação
Em Jó 40:1-5, Deus pede a Jó que responda, e Jó diz que não tem nada a dizer. Deus interrompe Sua jornada pela criação, iniciada em Jó 38, para dar a Jó a oportunidade de falar: Então o Senhor disse a Jó: “Acaso o acusador contenderá com o Todo-Poderoso? Que aquele que repreende a Deus responda” (vv. 1-2).
Deus chama Jó de crítico. Em Jó 23:3-4, Jó ansiava por apresentar seu caso diante de Deus, confiante de que, se o fizesse, Deus mudaria Seus caminhos e aliviaria as dificuldades que Jó estava enfrentando. Jó havia, de fato, pedido para contender com o Todo-Poderoso (Jó 23:4, 7). Muitas traduções apresentam a primeira pergunta de Deus como: “Aquele que contende com o Todo-Poderoso poderá corrigi-Lo?”
É verdade que o objetivo de Jó era corrigir a Deus. Ele sentia que Deus não tinha todas as informações necessárias. Deus precisava da perspectiva dele para julgar corretamente. De fato, ele desejava ser alguém que repreendesse a Deus. Mas, após ter sua perspectiva reorientada para vislumbrar o que Deus via, Jó percebeu que estava completamente enganado.
Então Jó respondeu ao SENHOR e disse: “Eis que sou insignificante; que posso eu te responder? Ponho a mão sobre a minha boca. Uma vez falei, e não responderei; duas vezes, e nada mais acrescentarei” (vv. 3-5).
À luz da contemplação da criação do universo por Deus e das criaturas vivas na terra, que Deus lhe apresentou em Jó 38-39, Jó, apropriadamente, redefine sua própria perspectiva dizendo: Eis que sou insignificante.
A palavra hebraica traduzida como "Eu sou insignificante" é em outros contextos traduzida como "desprezado", "amaldiçoado", "trivial" e "pouco estimado". A ideia é: "Quando me comparo a Ti, não sou muita coisa". Portanto, deve ser assim que qualquer coisa finita, por mais substancial que seja, não passa de um grão de areia quando comparada ao infinito.
Jó pensava que Deus precisava da perspectiva dele para realizar Sua obra corretamente. Agora, Jó percebe que o oposto é verdadeiro; ele precisa reorientar sua própria perspectiva. Ele foi desafiado a enxergar as coisas da perspectiva de Deus e percebeu que não consegue nem começar a compreendê-la.
Portanto, quão absurdo é oferecer correções a Deus. Quando Jó diz "Põe a mão sobre a boca", ele quer dizer que deveria estar ouvindo e aprendendo com Deus, em vez de falar e oferecer sua própria perspectiva. Jó percebeu que já havia dito demais e, portanto, não acrescentaria mais nada.
Paradoxalmente, no final desta saga, Deus pedirá a Jó que ore por Elifaz e seus dois amigos, e somente então Deus os perdoará por terem falado mal Dele. Assim, embora os humanos não tenham autoridade para corrigir a Deus, Ele deseja seu envolvimento ativo com Ele. Deus criou os humanos para praticarem boas obras (Salmo 8). Mesmo após a Queda, Deus cria uma nova geração a partir daqueles que creem e lhes dá boas obras para realizarem (Efésios 2:10). Seu propósito para os humanos é vasto, desejando provar que governar servindo é superior a governar pelo poder (para mais informações, leia nosso artigo “ Por que Deus criou a humanidade e qual é o nosso propósito divino? ”).