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Jeremias 10:6-10
6 Ninguém é semelhante a ti, Jeová grande és tu, e grande é o teu nome em poder.
7 Quem te não temeria, ó Rei das nações? Convém que sejas temido, porquanto, entre todos os sábios das nações e em todos os seus reinos, não há quem seja semelhante a ti.
8 Porém são, à uma, embrutecidos e se tornam insensatos; a instrução que os ídolos lhes dão é madeiro.
9 Há prata em chapas que se traz de Társis, e ouro, de Ufaz, obra do artífice e das mãos do ourives; de azul e de púrpura é a vestidura deles; todos eles são obra de homens peritos.
10 Porém Jeová é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei sempiterno. Ao seu furor, estremece a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação.
Jeremias 10:6-10 explicação
Jeremias passa da exposição dos ídolos para a exaltação do SENHOR em Jeremias 10:6-10. As nações estrangeiras temem os céus e pregam seus deuses em pé, mas o profeta celebra a incomparável grandeza do SENHOR, o legítimo "Rei das nações", o Deus vivo e eterno cuja voz faz tremer a terra. O temor correto a Deus substitui o falso medo dos poderes criados pelo homem e dos presságios celestiais.
Jeremias começa declarando como Deus é distinto: “Ninguém é semelhante a ti, Jeová; grande és tu, e grande é o teu nome em poder” (v. 6). “Nome” aqui significa o caráter e a reputação revelados de Deus (Êxodo 34:5-7). Israel responde às divindades falsas exaltando a glória incomparável do SENHOR (Salmo 86:8; Êxodo 15:11). Em um mundo impressionado com o esplendor esculpido e a ostentação de posição, Jeremias ancora o valor naquele cujo poder não requer adornos.
O profeta então universaliza o governo do SENHOR: “Quem te não temeria, ó Rei das nações? Convém que sejas temido, porquanto, entre todos os sábios das nações e em todos os seus reinos, não há quem seja semelhante a ti” (v. 7). “Rei das nações” declara que o Deus de Israel não é uma divindade tribal, mas soberano sobre todos os povos. Os sábios humanos e as cortes reais, incluindo os eruditos da Babilônia, não podem rivalizar com a sabedoria nem com a autoridade do SENHOR (Daniel 2:20-22). No Livro do Apocalipse, o coro celestial retoma esse mesmo título “Rei das nações”, ao entoar o cântico de Moisés e do Cordeiro (Apocalipse 15:3), evidenciando que a confissão de Jeremias encontra seu clímax em Cristo.
Em contraste com o poder de Deus, os fabricantes de ídolos recebem um veredito contundente: "Porém são, à uma, embrutecidos e se tornam insensatos; a instrução que os ídolos lhes dão é madeiro" (v. 8). "Instrução" (ou "disciplina") torna-se uma educação no vazio, com o objeto de adoração sendo feito de madeira. Jeremias já desmascarou isso em Jeremias 10:3-5: o que começa como madeira é vestido como divindade. Isaías desenvolve a mesma ideia: metade da lenha é usada para preparar a refeição, enquanto a outra metade é transformada em um deus (Isaías 44:14-17). A idolatria não é apenas um erro; é uma loucura aprendida. A prática cultural da idolatria é ensinada ao longo das gerações, e embora Israel devesse ser separado dessas práticas (Levítico 20:26), eles são frequentemente influenciados pelas nações estrangeiras (Êxodo 32; 2 Crônicas 28:23).
O versículo 9 descreve o fascínio dos metais preciosos e dos tecidos: “Há prata em chapas que se traz de Társis, e ouro, de Ufaz, obra do artífice e das mãos do ourives; de azul e de púrpura é a vestidura deles; todos eles são obra de homens peritos” (v. 9).Társis provavelmente se refere aos portos do extremo oeste do Mediterrâneo (frequentemente identificados com Tartessos, no sul da Espanha), conhecidos por suas abundantes reservas de prata e alcançados por navios fenícios. (Ezequiel 27:12). “Ufaz”, mencionado novamente em Daniel 10:5, denota uma fonte de ouro fino; muitos o associam a Ofir, a renomada região aurífera acessada pela frota de Salomão (1 Reis 9:28; 10:11), embora sua localização exata seja incerta. “Azul e púrpura” eram corantes de luxo (do molusco murex), sinalizando gastos régios. A ironia é nítida: quanto mais requintado o ofício, mais clara a dependência — tudo isso é obra de homens habilidosos. O adorno não pode dar vida ao que as mãos fizeram (Salmo 115:4-8).
O profeta termina Jeremias 10:6-10 onde a verdadeira adoração começa: “Porém Jeová é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei sempiterno. Ao seu furor, estremece a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação” (v. 10). “Verdadeiro” contrasta com falso; “vivo” contrasta com inerte; “Rei sempiterno” contrasta com regimes que surgem e caem (Salmo 10:16). Quando Ele fala, a criação estremece (Naum 1:5; Hebreus 12:26-27). Esta confissão também aponta para Jesus, a quem o Novo Testamento chama de “o Deus verdadeiro e a vida eterna” (1 João 5:20) — o Verbo encarnado por quem todas as coisas subsistem (Colossenses 1:15-17). Ele é “ Rei dos reis” (Apocalipse 19:16), e em Seu retorno a pergunta de Jeremias 10:10 reaparece: “Quem pode subsistir?” (Apocalipse 6:17). A resposta adequada não é o pânico diante de presságios, mas o arrependimento e a confiança no Rei vivo, cuja autoridade nos liberta do medo de qualquer coisa que precise ser pregada no lugar para evitar que vacilemos (Jeremias 10:4).