Josué 8:10-17 explicação
Em Josué 8:10-17, começa a batalha contra Ai.
Na seção anterior, Josué escolheu um contingente de 30.000 guerreiros. Ele os incumbiu, durante a noite, de armar uma emboscada a oeste de Ai, uma pequena cidade cananeia perto de Bete-Áven, a leste de Betel. Ele instruiu o restante do povo a permanecer no acampamento para lançar um ataque frontal e fugir diante do inimigo, arrastando-os para longe da cidade para permitir que os 30.000 soldados a conquistassem. Os homens obedeceram a Josué e foram para o oeste de Ai. Enquanto isso, Josué passou a noite no acampamento com o povo (vv. 3-9).
Em Josué 8:10-17, aprendemos que, ao final da noite, Josué se levantou de madrugada e passou revista ao povo (v. 10). Nos tempos antigos, os exércitos frequentemente iniciavam batalhas pela manhã (Juízes 9:33, 1 Samuel 11:11, 2 Crônicas 20:20). Portanto, o salmista comentou que Deus protegeria a Sua cidade santa "ao romper da alva" (Salmo 46:5).
Josué era um homem atento e enérgico. Ele era tão corajoso que se levantava cedo para cumprir sua missão. Aqui, ele passou revista aos israelitas. A expressão "passar revista" significa ajuntar, geralmente no contexto de guerra. Isso indica ao leitor que Josué convocou e organizou os soldados de uma certa maneira para que estivessem prontos para o serviço militar (1 Samuel 11:8, 13:15, 1 Reis 20:15).
Após passar revista aos guerreiros israelitas, Josué subiu contra Ai, ele e os anciãos de Israel, diante do povo. Isso significa que os soldados marcharam sob o comando de Josué e seguiram os anciãos, aqueles homens respeitáveis e sábios que serviam como autoridades locais em suas cidades e entre suas tribos (Deuteronômio 1:13, 27:1). Então, todo o povo, os homens de guerra que se achavam com ele [Josué], saíram, aproximaram-se, vieram fronteiros à cidade (v. 11).
Josué liderou o segundo contingente de soldados. Ele e os soldados tomaram a iniciativa de atacar seus inimigos para cumprir a ordem de Deus (vv. 1-2). Acamparam-se ao lado setentrional de Ai para ficarem visíveis ao inimigo. Havia um vale entre ele [Josué] e Ai, um profundo desfiladeiro nas colinas. Josué e a força principal de combate marcharam para o oeste da cidade. O objetivo era que, quando os guerreiros de Ai os atacassem, pudessem fugir para o leste, de volta à sua base, para que a emboscada pudesse ser armada.
Entretanto, Josué ordenou que um terceiro contingente de soldados preparasse uma segunda camada para o plano de emboscada (Josué 8:2). Ele tomou uns cinco mil homens e pô-los em emboscada entre Betel e Ai, ao ocidente da cidade (v. 12). Ao fazer isso, ele garantiu o sucesso de sua manobra de engano. Isso aparentemente se somava aos 30.000 que já haviam sido enviados anteriormente para aguardar e tomar a cidade quando os soldados de Ai a deixassem para perseguir a falsa retirada de Josué. Intérpretes judeus, desde Rashi, entenderam os 5.000 como um segundo contingente de emboscada, posicionado mais perto da cidade do que os 30.000 do versículo 3, resultando em uma emboscada em múltiplas camadas, uma atrás da outra. Contudo, a tradução grega do Antigo Testamento (a Septuaginta) descreve apenas um grupo de emboscada, o que representa uma interessante divergência em relação ao texto massorético (o Antigo Testamento hebraico). Na Septuaginta, o versículo 12 simplesmente se refere à emboscada no lado oeste da cidade, sem mencionar a cifra de 5.000 homens, e o versículo 13 não está incluído. O resultado final deste capítulo é o mesmo de qualquer maneira: a falsa retirada esvazia Ai de seus soldados, a cidade é tomada e incendiada pela(s) força(s) da emboscada, que então atacam o exército de Ai por trás, prendendo-o em um cerco enquanto o exército de Josué mantém sua posição do outro lado.
Assim foi posto o povo, todo o arraial que estava ao norte da cidade, e os homens da emboscada que se achavam ao ocidente (v. 13). Em resumo, a tropa ao norte era a vanguarda, enquanto o povo em emboscada a oeste era a retaguarda. Uma vez que todos os preparativos estavam concluídos, foi Josué aquela noite ao meio do vale, explorando-o para ver onde a batalha começaria.
A preparação militar de Israel chamou a atenção do inimigo. Quando o rei de Ai viu isso, ele e todo o seu povo apressaram-se, levantaram-se cedo e saíram os homens da cidade ao encontro de Israel à batalha (v. 14). O rei de Ai e seu povo pensavam que a segunda batalha contra Israel seria uma repetição da primeira. Em suas mentes, derrotariam os israelitas e os fariam recuar, como fizeram no primeiro ataque. Assim, o rei e seu povo agiram rapidamente para enfrentar Israel ao tempo determinado, defronte da Arabá, um vale árido que se estende da extremidade sul do Mar da Galileia até o Golfo de Aqaba, a extremidade norte do Mar Vermelho. Mas o rei de Ai não sabia que se achava uma emboscada contra ele atrás da cidade. Ele concentrou-se na força principal de combate, sem saber que uma emboscada o aguardava, juntamente com seu exército, no lado oeste de Ai.
Em seguida, Josué e todo o Israel começaram a colocar em prática seu estratagema para armar uma armadilha para o povo de Ai. Houveram-se como se fossem feridos diante deles, e fugiram pelo caminho do deserto (v. 15). Usaram uma falsa retirada, fingindo recuar para atrair seus inimigos a uma posição de vulnerabilidade. Essa tática militar funcionou perfeitamente para Josué: todo o povo que estava na cidade foi convocado para os perseguir (v. 16). Assim como no primeiro ataque, os soldados de Ai usaram a mesma estratégia contra Israel. Desta vez, porém, perseguiram a Josué até serem afastados da cidade. Provavelmente pensaram que a batalha seria igual à primeira, então deixaram a cidade para perseguir o povo de Deus. Assim, não ficou um só homem em Ai nem em Betel que não saísse após Israel (v. 17).
Ai ficava a cerca de três quilômetros a leste de Betel. Além da proximidade geográfica, parece haver uma aliança militar entre as duas cidades, permitindo que uma ajudasse a outra durante a guerra. Assim, os soldados de Ai e os de Betel atacaram Israel. Não hesitaram, pois presumiam que venceriam a batalha com base no confronto anterior. Estavam tão ansiosos para derrotar Israel que, deixando a cidade aberta, perseguiram os israelitas, acreditando ter a chance de destruir os supostos covardes israelitas de uma vez por todas, ou pelo menos expulsá-los para longe. Mas os homens de Ai e Betel estavam caindo em cheio na armadilha de Josué.
No mundo antigo, as cidades possuíam muralhas e portões para proteger os cidadãos de invasores (Deuteronômio 17:5, Josué 2:7, Neemias 13:19, Oseias 11:6). O portão da cidade era a sede do governo da comunidade (Deuteronômio 6:9, Provérbios 1:21). Era uma estrutura maciça com câmaras entre as entradas. A cidade de Ai também tinha portões, mas seus soldados não os fecharam quando seguiram o exército israelita. Agora que os guerreiros de Ai a deixaram desprotegida, a emboscada logo se desenrolaria.