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Apocalipse 22:1-5 explicação

O anjo continua a mostrar a João a nova terra, um lugar sem maldição onde o povo de Deus viverá com Ele face a face.

Apocalipse 22 continua de onde o capítulo 21 parou, com o anjo dando a João um passeio pela nova terra. Desta vez Mostrou-me um rio da água da vida, resplandecente como cristal, saindo do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua rua, e de um e de outro lado do rio, achava-se a árvore da vida, que dava doze frutos, produzindo, em cada mês, o seu fruto; e as folhas da árvore servem para a cura das nações(v. 1-2).

O início do capítulo 21 focou no trono de Deus e nas palavras daquele que estava no trono. Agora vemos o rio da água da vida que vem do trono de Deus e do Cordeiro.

Ao que tudo indica, o rio da água da vida é literal, pois João o descreve como sendo resplandecente como cristal. Ele também o descreve fluindo no meio da rua, talvez se referindo a uma rua de alguma forma associada à paisagem que circunda o trono de Deus. É nos dito que não há templo na nova terra, porque o Senhor Deus Todo Poderoso e o Cordeiro são o seu templo (Apocalipse 21:22). Talvez essa rua com um rio no meio indique que o trono de Deus está ao ar livre. Isso pareceria se encaixar na ideia de que a nova terra terá um ambiente perfeito, sem noite.

O destaque da cidade é o rio bem no meio da rua. A rua principal tem um rio no meio dela, talvez seja como uma rodovia dividida com um canteiro central, mas, neste caso, o canteiro central contém um rio.

Na Terra atual, os rios fluem de lugares altos para lugares baixos, apesar de as leis da física atuais poderem muito bem não se aplicar à nova Terra, parece que o trono de Deus deve estar em um lugar elevado, como uma montanha, de onde o rio flui.

Na Terra atual, a água é transportada para lugares altos pela chuva ou neve, depois flui montanha abaixo, se tornando riachos, rios, lagos ou mares. Na nova Terra, a nascente do rio é o trono de Deus, bem como o Cordeiro. O Cordeiro se refere a Jesus (Apocalipse 21:23). Em um grande paradoxo, Jesus, o Cordeiro, é também o pastor do povo que os conduzirá às fontes da água da vida (Apocalipse 7:17). Parece que o Cordeiro, que também é pastor, é a fonte das águas da vida, a indicação é que Ele conduzirá as pessoas a Si mesmo.

Em seguida, a vista se expande para o que está ao redor do rio:

No meio da sua rua, e de um e de outro lado do rio, achava-se a árvore da vida, que dava doze frutos, produzindo, em cada mês, o seu fruto; e as folhas da árvore servem para a cura das nações. (v. 2).

Esta árvore não serve apenas para enfeitar, como muitas das árvores em nossas cidades atuais, mas também para produzir alimento, já que dá doze frutos. Parece também que as estações do ano não se aplicam na nova terra, pois a árvore frutifica todos os meses.

O último atributo desta árvore é que suas folhas serviam para a cura das nações. Assim, a árvore da vida não só produz doze tipos de frutos todos os meses, como suas folhas também possuem propriedades curativas.

Isso levanta a questão de que, se é verdade que na nova terra enxugará toda lágrima dos olhos deles. Não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem choro, nem dor, porque as primeiras coisas são passadas (Apocalipse 21:4), por que há necessidade de cura?

Uma possível explicação é que essas folhas proporcionam cura preventiva antes mesmo do surgimento da doença mas, seja qual for o motivo de sua existência, vale ressaltar que a cura se destina às nações, ainda haverá nações na nova terra.

Diz-se que o rio com a árvore da vida em ambas as margens flui com a água da vida. A palavra grega traduzida como vida é "zoe", que se refere à qualidade da vida. Parece que a imagem que está sendo transmitida é a de que os humanos foram completamente restaurados ao seu projeto original, mas a nova Terra é ainda superior ao Éden. Em vez de uma única árvore da vida, agora existe uma árvore da vida que se estende por ambas as margens do rio e produz doze frutos.

Após a queda, os humanos foram expulsos do Jardim do Éden para que não comessem do fruto da árvore da vida e vivessem para sempre (Gênesis 3:22-23). Visto que a morte entrou no mundo quando Adão pecou, essa ação de Deus foi um ato de graça, pois impediu que os humanos se tornassem mortos-vivos. Aqui, no fim desta era da história humana, os exilados retornaram ao jardim perfeito e agora a árvore da vida é, mais uma vez, a fonte da imortalidade.

O tema do exílio e do retorno permeia as Escrituras. O exílio dos judeus da Babilônia para Judá provavelmente serve como uma ilustração da trajetória da humanidade. A Terra em que vivemos hoje é um fragmento daquilo que Deus planejou. Neste ponto de Apocalipse 22, na nova Terra, os seres humanos são restaurados não apenas plenamente, mas em abundância.

Agora a imagem muda de uma descrição física da nova Terra para uma descrição do estado da nova Terra:

Não haverá jamais maldição. O trono de Deus e do Cordeiro estará nela, e os seus servos o servirão (v. 3).

Este versículo contém três afirmações de fato:

  1. Não haverá jamais maldição.
  2. O trono de Deus e do Cordeiro estará nela.
  3. Seus servos o servirão.

Primeiro, não haverá jamais maldição. Isso faz referência à maldição dada em Gênesis 3, essa maldição é tríplice:

À serpente, Deus amaldiçoou a rastejar sobre o ventre, mostrando que a natureza estava amaldiçoada, tendo caído da harmonia original com o projeto de Deus. À mulher, Eva, Deus amaldiçoou sua capacidade de obter plena satisfação em seus relacionamentos e ao homem, Adão, Deus amaldiçoou sua capacidade de obter plena satisfação no trabalho (Gênesis 3:15-19).

Duas áreas principais da vida que são amaldiçoadas nessas passagens são os relacionamentos e o cultivo de alimentos. Já vemos que a maldição de Adão foi quebrada com a árvore da vida, que dá frutos sem esforço, mas a nova terra também verá todas essas outras maldições desaparecerem.

No âmbito dos relacionamentos, houve conflitos entre a serpente e a mulher, assim como entre a mulher e o homem. Tanto a relação da humanidade com os animais quanto entre si estão atualmente amaldiçoadas: Deus prometeu que um libertador viria para livrar a Terra do enganador, dizendo que o feriria na cabeça, indicando um ferimento fatal.

"Porei inimizade 
Entre ti e a mulher,
E entre a tua semente e a sua semente;
Esta te ferirá a cabeça,
E tu lhe ferirás o calcanhar."
(Gênesis 3:15)

Jesus já venceu o pecado e a morte, Ele derrotou Satanás e no futuro, Jesus lançará Satanás no lago de fogo (Apocalipse 20:10) esse será o cumprimento completo da promessa de Gênesis 3.

Satanás tem enganado a humanidade ao longo da história mas, na nova Terra, sua capacidade de enganar chegará ao fim. Na nova Terra, a humanidade não buscará mais satisfazer suas necessidades por meios inadequados. Neste mundo atual, Satanás nos engana, nos fazendo acreditar que podemos alcançar a felicidade explorando os outros para satisfazer nossas próprias necessidades.

Infelizmente, quando agimos assim, magoamos os outros, assim como a nós mesmos. Muitas vezes, tentamos em vão controlar os outros, quando isso não passa de uma ilusão; não podemos controlar os outros. Na nova Terra, parece que abraçaremos a realidade, e isso nos levará a viver em plena alegria.

A cada pessoa foi dado o dom de escolher três coisas: em quem confiar, a perspectiva que adotar e as ações que tomar. Tendemos a negligenciar a responsabilidade por essas escolhas vitais e, em vez disso, buscamos a ilusão de que controlamos os outros ou o nosso ambiente, isso se deve à Queda do Homem mas na nova terra, isso será restaurado e retornaremos do nosso exílio.

Viver em ilusões faz parte da morte que advém da queda. A morte é separação, e quando caímos, fomos divididos internamente, perdemos o contato com a realidade, racionalizamos e culpamos; um dos primeiros atos de Adão após a queda foi culpar os outros (Gênesis 3:12).

Mas na nova terra, a raça humana exilada retornará ao jardim onde não haverá mais morte (Apocalipse 20:14). Aqueles que entrarem na cidade beberão da água da vida e comerão da árvore da vida. A morte não existirá mais e a maldição terá desaparecido.

A segunda e a terceira afirmações em Apocalipse 22:3 são que o trono de Deus e do Cordeiro estará nela [a nova terra], e os seus servos o servirão.

Ao longo das Escrituras, o trono de Deus é descrito como estando no céu, e o céu é descrito como o lugar onde Deus habita. Na nova terra, o Seu trono estará na terra. O ponto culminante desta era da história humana é a vinda do céu à terra (Apocalipse 21:3, 22). A oração do Senhor será atendida; a vontade de Deus será cumprida na terra como no céu, porque o céu estará agora sobre a terra (Mateus 6:10).

O trono é descrito como sendo compartilhado por Deus e pelo Cordeiro (Jesus). Isso está em consonância com a imagem de Apocalipse 3:21, onde Jesus recebe a honra de compartilhar o trono de Seu Pai com Ele, porque venceu a rejeição do mundo. Antes de vir à Terra, Jesus já era o governante do universo como Deus mas Ele se tornou humano, um Cordeiro que foi sacrificado pelos pecados do mundo (Hebreus 9:12).

Assim, Jesus, o Cordeiro de Deus, é Deus que se fez homem. Jesus agora compartilha o trono de Deus como um ser humano. Ele foi recompensado para governar a Terra como um ser humano, embora Ele também seja Deus. Ele é Emanuel, Deus conosco (Mateus 1:23) plenamente Deus e plenamente humano. Isso transcende nossa capacidade de compreensão e constitui um grande paradoxo. (Para mais informações, leia nosso artigo Lidando com Tópicos Difíceis: Paradoxo Fundador).

Jesus foi recompensado com o título de Filho por sua fiel obediência, de acordo com a antiga tradição que os historiadores chamam de tratado de Susserano-Vassalo (para mais informações, veja Tratado Susserano-Vassalo). Sua recompensa foi receber toda a autoridade no céu e na terra (Mateus 28:18; Hebreus 1:5, 8, 13). Jesus deseja trazer muitos filhos à glória para reinar com Ele (Hebreus 2:10). Os filhos são os vencedores que Ele recompensará compartilhando o Seu trono com eles (Apocalipse 3:21).

Mas todos aqueles que compartilharem este reinado com Ele serão Seus servos e O servirão. Não haverá tiranos na nova terra, nem chefes abusivos e nem abuso de autoridade, somente aqueles que forem servos receberão autoridade para reinar.

Na nova terra, todos os líderes serão servos. Jesus governará a nova terra (Apocalipse 19:15), Ele foi recompensado por Deus com autoridade sobre os céus e a terra, como ser humano, porque foi obediente, até a morte na cruz (Mateus 28:18; Filipenses 2:5-9; Hebreus 2:10). Jesus recebeu toda a autoridade porque estava disposto a dar a sua vida em serviço (Mateus 20:28).

Jesus convidou todos os que creem nele a se unirem ao seu governo para reinar sobre a Terra. Aqui, em Apocalipse, os servos de Deus recebem a promessa de uma grande bênção se lerem, ouvirem e praticarem/guardarem as instruções desta profecia (Apocalipse 1:3). Apocalipse diz aos crentes que eles receberão recompensas imensas, bênçãos incríveis, se viverem suas vidas na Terra como vencedores. Jesus promete àqueles que seguem o seu exemplo e vencem a morte, a perda e a rejeição do mundo que compartilhará o seu trono com eles, assim como o Pai compartilhou o seu trono porque Jesus venceu (Apocalipse 3:21). Para mais informações, leia nosso artigo: Vencedores.

Assim, somente aqueles que comprovarem ser servos receberão autoridade na nova terra. Vemos na Parábola dos Talentos que a grande recompensa que o mestre concede aos servos que foram mordomos fiéis é a promoção a uma autoridade ainda maior (Mateus 25:21). A nova terra não terá líderes egoístas, somente aqueles dispostos a servir a uma missão de benefício mútuo terão permissão para exercer autoridade.

A todos os crentes é concedida uma herança para reinar com Cristo (Efésios 1:1, 18; Colossenses 3:23). Aqueles que vencem a rejeição do mundo dão o passo para obter sua recompensa completa e possuir plenamente sua herança (Hebreus 2:10, 4:1-4). Esses crentes que vencem são então totalmente restaurados ao plano original de Deus para os humanos, para reinar sobre a terra em harmonia com Ele, com a natureza e uns com os outros (Hebreus 2:5-10).

Em seguida, aprendemos que não só deixará de existir maldição, como também e verão a sua face; e o seu nome estará nas testas deles. (v. 4).

Desde a Queda do Homem, nenhum ser humano foi capaz de ver a face de Deus. Aparentemente, esse não era o caso no Jardim do Éden parece que ali, Adão e Eva tiveram uma comunicação íntima na presença de Deus.

Em Gênesis 3, depois que Adão e Eva comeram o fruto proibido, está escrito que:

Ouviram o ruído de Deus Jeová, que passeava pelo jardim ao fresco do dia, e esconderam-se o homem e sua mulher da presença de Deus Jeová entre as árvores do jardim.
(Gênesis 3:8)

Pode-se inferir que Adão e Eva experimentavam rotineiramente a presença física de Deus, visto que conseguiam se esconder dela. Ao final da maldição, Deus expulsou [Adão] do jardim do Éden, e, portanto, ele aparentemente também foi exilado de Sua presença (Gênesis 3:23).

Parece que, desde então, ninguém conseguiu ver a face de Deus. Moisés pediu, mas Deus respondeu: Continuou: Não poderás ver a minha face, porque o homem não pode ver a minha face e viver (Êxodo 33:20).

Aparentemente, a natureza também não suporta a presença física de Deus. Vimos anteriormente em Apocalipse que a terra e o céu fugiram da presença de Deus (Apocalipse 20:11).

Mas agora que não haverá mais maldição, parte da remoção da maldição é a restauração da capacidade de ver Sua face.

Além disso, o seu nome estará nas testas deles (v. 4).

No livro de Êxodo, Deus instruiu os israelitas sobre o que o sacerdote deveria vestir, incluindo uma placa gravada para ser colocada na testa:

Farás também uma lâmina de ouro puro e nela gravarás, como as gravuras de um selo, SANTIDADE A JEOVÁ. Pô-la-ás sobre uma fita azul, e estará sobre a mitra; bem na frente da mitra estará. Estará sobre a testa de Arão, e este levará a iniquidade concernente às coisas sagradas que os filhos de Israel consagrarem em todas as suas santas ofertas; sempre estará sobre a testa de Arão, para que eles sejam aceitos diante de Jeová.
(Êxodo 28:36-38)

O sinal de Santo ao Senhor na testa de Arão era um símbolo de sua função como sacerdote. Da mesma forma, quando os vencedores são informados de que o seu nome estará nas testas deles, isso implica que eles também exercerão uma função sacerdotal.

Apocalipse 5 diz:

E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de receber o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e compraste para Deus, com o teu sangue, homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação, e lhes fizeste, para nosso Deus, reino e sacerdotes, e reinarão sobre a terra. (Apocalipse 5:9-10)

Os vencedores se tornarão sacerdotes, e o sinal do nome de Deus em suas testas aparentemente será um símbolo para todos os outros, demonstrando seu papel sacerdotal. O papel de um sacerdote é servir como intermediário de Deus, isso pode sugerir que ainda haverá alguns que habitarão a Terra que não poderão desfrutar plenamente da presença física de Deus e é confirmado alguns versículos depois, em Apocalipse 22:15.

A última parte da descrição da nova Terra é a seguinte:

Não haverá mais noite; nem precisam mais da luz da candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus os iluminará, e eles reinarão pelos séculos dos séculos. (v. 5)

A maldição sobre a terra foi abolida no versículo 3 e trata do equilíbrio energético. As ervas daninhas direcionam sua energia para sementes, espinhos e raízes, em vez de frutos, de modo que ervas daninhas e espinhos crescem preferencialmente portanto, é necessário esforço humano para cultivar plantas frutíferas (Gênesis 3:17-18). Parece que, na nova terra, essa maldição foi revertida e talvez agora as plantas frutíferas cresçam preferencialmente.

Além disso, no ciclo energético atual da Terra, as plantas obtêm sua energia do sol, nós obtemos nossa energia ao comer as plantas (ou animais que comeram as plantas) e, em seguida, investimos nossa energia no cuidado das plantas (e dos animais) para que possamos continuar obtendo alimento delas.

Mas, como não há mais maldição, na nova terra parece que não precisaremos mais trabalhar arduamente para obter alimento nem gastar nossa energia vencendo a inércia das ervas daninhas e dos espinhos.

O fato de não haver necessidade da luz do sol sugere que a nova Terra terá um ciclo energético diferente, contudo, ainda haverá alimento e bons frutos da árvore da vida, portanto, ainda haverá sustento na nova Terra. Mas parece que a energia de Deus terá influência direta sobre a Terra e será suficiente para sustentar todas as coisas. A ausência de noite sugere que a nova Terra pode não estar em órbita, o que cria o dia e a noite em nossa Terra atual. Isso também poderia explicar como a nova Jerusalém poderia ter 1.500 milhas de altura (mencionadas como doze mil estádios em Apocalipse 21:16). Que a cidade seja tão alta sugere que a hospitalidade para a vida não diminui com a altitude, como acontece na Terra atual.

Talvez não haja sol algum na nova terra. Talvez quando Jesus diz eis que faço novas todas as coisas, isso inclua um projeto completamente novo para as moradas no universo. Pode haver uma nova física, uma nova química e uma nova biologia. Mas, haja ou não sol, o Senhor Deus os iluminará.

A inferência é que a presença física de Deus é tão brilhante quanto o sol, e ainda assim prosperaremos em Sua presença, especialmente agora que podemos ver Sua face. No capítulo anterior, lemos sobre algumas pessoas, com base em diversos comportamentos, que terão parte no lago de fogo (Apocalipse 21:8). Elas foram contrastadas com aqueles que venceram e receberam o título de "filho", título dado àqueles que aprendem a obediência, seguindo o exemplo de Jesus (Hebreus 1:5, 2:10).

É possível que essa nova realidade de crentes caminhando em luz tão brilhante quanto o sol seja prefigurada pela história dos três hebreus fiéis que caminharam na fornalha ardente com o que poderia ser um Jesus pré-encarnado (Daniel 3:24-25). Nessa história, três hebreus fiéis que se recusaram a se curvar diante de um ídolo pagão foram condenados à morte em uma fornalha ardente e, em vez disso, prosperaram nas chamas. Também é possível que os soldados babilônicos que morreram de hipotermia enquanto tentavam alimentar o fogo da fornalha representem aqueles que são incrédulos, cujo destino é passar a eternidade no lago de fogo (Apocalipse 20:10, 15).

Esta imagem da nova terra apresenta um paradoxo fascinante envolvendo montanhas e fogo. Em nosso mundo atual, somos atraídos pela majestade das montanhas, mas aqueles que tentam escalá-las frequentemente encontram a morte, e aqueles que têm sucesso na tentativa podem permanecer apenas por um curto período de tempo, caso desejem sobreviver. Mas na nova terra, a Nova Jerusalém parece estar em uma montanha incrivelmente alta, e essa montanha é uma fonte de vida, abrigando tanto a árvore da vida quanto um rio da vida (v. 1-2).

De forma semelhante, nesta Terra atual, temos fascínio pelo fogo, mas devemos ser muito cautelosos para que ele não nos destrua. Mas aqui, na nova Terra, parece que a glória de Deus é tão brilhante quanto o sol, e é algo em que o Seu povo se deleita. Esta é mais uma imagem de como a nova Terra satisfará os desejos mais profundos dos nossos corações para aqueles que forem redimidos. Parece também que aqueles que não forem redimidos poderão estar no mesmo ambiente, mas para eles será tormento.

Um dos principais temas do livro do Apocalipse é que não precisamos temer o que acontecerá no futuro, porque Deus está no controle de tudo. A palavra "trono" aparece mais de quarenta vezes no Apocalipse e se refere principalmente ao trono de Deus. Os eventos dramáticos do Apocalipse são autorizados por Deus, como no caso dos "quatro cavaleiros do Apocalipse", onde "uma coroa foi dada" (Apocalipse 6:2), "foi concedida" (Apocalipse 6:4) e "foi dada autoridade" (Apocalipse 6:8).

Este ponto, de que Deus está sempre em Seu trono, é ainda mais enfatizado na declaração de que os servos de Deus reinarão para todo o sempre (v. 3, 5). Isso acontecerá porque, àqueles que vencerem, Jesus dará o direito de se sentar com Ele em Seu trono (Apocalipse 3:21). Deus está sempre em Seu trono, Ele deu toda a autoridade a Jesus, o nome acima de todo nome, porque Ele seguiu a Sua vontade de assumir a forma humana, sofrer e morrer pelos nossos pecados (Mateus 28:18; Filipenses 2:8-9; Hebreus 2:9-10). Jesus prometeu recompensar todos aqueles que vencerem a rejeição do mundo, assim como Ele venceu, compartilhando o Seu reino com Ele.

E eles reinarão pelos séculos dos séculos (v. 5). A frase traduzida como séculos dos séculos traduz uma palavra grega que se repete, aion aion. A palavra grega "aion" significa "era" ou "idade". Muitas vezes é traduzida como "eterno", quando talvez seja melhor compreendida como "até o fim dos tempos". Por exemplo, em Mateus 12, "aion" é traduzido como "era":

Ao que disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; porém ao que falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro. (Mateus 12:32)

Neste trecho de Mateus, o contexto exige a tradução de "era", mas provavelmente seria melhor compreendido como "até o fim dos tempos" em muitos outros casos.

Contudo, neste caso de pelos séculos dos séculos no versículo 5, o grego repete a palavra "aion". Assim, aion aion indica a ideia de "até a era das eras". Portanto, este é um caso em que a ideia de "eternidade" no sentido de "para sempre e sempre" é apropriada.