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1 Coríntios 4:1-5 explicação

1 Coríntios 4:1-5 lembra aos coríntios o papel de Paulo como servo de Deus, que comunica a Sua palavra. Ele recebeu essa missão de Deus, ensinando parte do que foi revelado sobre os planos misteriosos de Deus — o Evangelho. Paulo não se preocupa com o que os outros pensam dele; ele não está empenhado em agradar a ninguém. Ele procura ser obediente em tudo para que Jesus o aprove no dia do julgamento. Não é a opinião dos homens, nem mesmo a opinião que Paulo tem de si mesmo, que importa. Jesus julgará e decidirá o quão fiel Paulo foi. Por isso, os coríntios não devem julgar os outros, mas sim valorizar somente o julgamento de Deus.

Em 1 Coríntios 4:1-5, Paulo apresenta como ele deve ser visto, ou seja, como um servo e mensageiro de Cristo, que é responsável perante Cristo. Ele começa admoestando os crentes coríntios a nos considerarem dessa maneira, como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus (v. 1).

Paulo encerrou o capítulo anterior com a advertência: “Portanto, ninguém se glorie em homens” (1 Coríntios 3:21). Isso inclui Paulo. Ele vinha abordando um problema em Corinto: a igreja estava se dividindo por causa de qual mestre seguiam, entre Paulo, Apolo e outros (1 Coríntios 1:11-12). Neste capítulo da carta à igreja de Corinto, Paulo apresenta os seguintes pontos:

  • Os crentes devem se unir para seguir a Cristo, em vez de se dividirem para seguir homens, mesmo que esses homens sejam fiéis mestres da palavra de Deus.
  • Os crentes não devem se concentrar em agradar aos homens ou em obter recompensas dos homens, mas sim em agradar a Deus e obter recompensas Dele.
    • Tudo o que fizermos nesta vida que não for para Cristo não permanecerá; será consumido no julgamento de Deus (1 Coríntios 3:15).
    • Tudo o que fizermos por Cristo perdurará e será grandemente recompensado (1 Coríntios 3:14).
  • Nossos corpos são o templo do Espírito Santo, e se profanarmos o templo de Deus, haverá consequências terríveis (1 Coríntios 3:16-17).
  • Somos salvos pela graça mediante a fé, com base na obra consumada de Cristo; portanto, nada disso afeta o fato de sermos filhos de Deus. Mas não queremos apenas ser salvos "como que através do fogo" (1 Coríntios 3:15). Queremos prosperar. E conseguimos isso focando em Cristo, não nos homens.

Agora Paulo se volta para si mesmo, para como ele deveria ser visto. Ao descrever a si mesmo e aos seus companheiros de trabalho como administradores dos mistérios de Deus, Paulo se baseia na ideia cultural de um administrador doméstico responsável pelos bens do senhor. A função dos administradores é proteger e gerir tudo o que pertence ao seu senhor ou patrão. Podemos inferir a função de um administrador do primeiro século a partir desta declaração de Jesus:

“E o Senhor [Jesus] disse: ‘Quem é, pois, o administrador fiel e prudente, a quem o seu senhor encarregará dos seus servos, para lhes dar a sua porção no tempo devido? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, encontrar fazendo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.’”
(Lucas 12:42-44)

A ideia central de Lucas 12:42-44 é que o senhor nomeia como administradores de sua propriedade aqueles que se mostraram fiéis em servir bem à sua casa. A Bíblia é explícita ao afirmar que Jesus busca descobrir quais de seus servos (aqueles que creem nele) serão fiéis em servir aos outros com seus dons. Este é um dos principais meios pelos quais Jesus julgará seus servos. As obras feitas em favor dos outros serão refinadas no fogo como ouro e pedras preciosas (1 Coríntios 3:12-13).

Os crentes que forem considerados fiéis em seu serviço receberão a mordomia do reino de Deus e reinarão com Ele (Mateus 25:21, Apocalipse 3:21, 5:10). No capítulo anterior, Paulo se concentrou nessa realidade. Pode-se argumentar que devemos considerar o fim de nossa vida nesta terra não como uma mera passagem deste mundo para o próximo; em vez disso, devemos incluir a avaliação de Jesus sobre o nosso serviço e a consequente designação para um posto na vida futura.

É interessante notar que a palavra grega traduzida como servos no versículo 1 não é “doulos” (traduzida como “escravo” em Lucas 12:42-44). É “hyperates”, que frequentemente é traduzida como “oficial”, como em um oficial do exército romano. O oficial romano tem autoridade, mas esta não é independente da estrutura de comando. O oficial cumpre seus deveres com atenção meticulosa ao executar suas próprias ordens. Paulo tem autoridade espiritual, mas serve à autoridade suprema.

Paulo foi designado para ser o “instrumento” de Deus para “levar o [Seu] nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Ele também foi designado para sofrer pelo nome de Jesus (Atos 9:16). Ele é como um administrador, exercendo autoridade sobre algo pelo qual é responsável, mas que não lhe pertence. Ele é como um oficial do exército, exercendo a autoridade que lhe foi dada para cumprir uma missão. Sua missão é espalhar as boas novas de que Deus redimiu a humanidade ao vir à Terra como homem; uma mensagem intrinsecamente ligada aos mistérios de Deus.

Paulo ocupa uma posição de destaque na igreja, como nenhum outro (2 Coríntios 12:11). Mas ele não considerava isso um prêmio a ser conquistado. Ele via seu apostolado como uma mordomia. Os mistérios de Deus lhe foram confiados, e ele entendia que sua missão era usar sua posição para servir aos que pertencem à família de Deus, assim como Jesus ensinou em Lucas 12:41-42.

Ao usar a expressão "mistérios de Deus" (v. 1), Paulo alude a verdades antes ocultas, mas agora reveladas abertamente por meio de Cristo. Como o mensageiro ou apóstolo fundador dos gentios (Romanos 11:13), ele trabalhou incansavelmente para levar as boas novas de Jesus Cristo a lugares onde elas não haviam sido ouvidas (Romanos 15:20). Jesus é o "Cristo", que significa "ungido". A palavra hebraica do Antigo Testamento para ungido é "Messias". Jesus cumpriu as promessas do Antigo Testamento (Mateus 5:17, Lucas 24:27). (Para mais informações sobre o significado de evangelho, veja nosso artigo " Por que Paulo se refere ao Evangelho como um mistério ").

Paulo escreveu aos colossenses a respeito do grande mistério: “Cristo em vós, a esperança da glória” (Colossenses 1:26-27). Paulo deixou claro que prestará contas ao seu mestre, que é Cristo, e não a qualquer homem. E o mesmo se aplica a cada pessoa (1 Coríntios 3:11-15). Essa é uma das principais razões pelas quais as divisões criadas por seguir meros homens são tolas, pois cada pessoa será julgada por Cristo.

Paulo continua: Além disso, neste caso, requer-se dos mordomos que sejam fiéis (v. 2). A palavra grega traduzida como "neste caso " significa simplesmente "aqui", referindo-se ao caso específico de sua mordomia do evangelho. Paulo está dizendo que considera que tem a obrigação de ser considerado fiel como mordomo. Um mordomo fiel é aquele que cumpre fielmente seus deveres. A palavra grega traduzida como "fiel " é "pistos", que muitas vezes é traduzida como "devoto".

Assim como um oficial romano é obrigado a cumprir fielmente suas ordens, Paulo também é compelido a espalhar as boas novas. Assim como um administrador é obrigado a gerir fielmente a casa e os bens de seu senhor, Paulo também é obrigado a cumprir fielmente a mensagem e o chamado que Deus lhe deu. Oficiais ou administradores que não são fiéis são demitidos (Mateus 25:26-28, Lucas 16:1-2). Servos fiéis são honrados com mais responsabilidades (Mateus 25:21).

A confiabilidade é a qualidade essencial de um administrador, mais importante do que aptidão ou demonstração pessoal de poder. Na época de Paulo (por volta de 55 d.C.), a igreja primitiva estava se expandindo por todo o Império Romano, em um mundo que viu muitos governantes diferentes — o imperador Cláudio (que governou de 41 a 54 d.C.) havia precedido Nero (de 54 a 68 d.C.). Paulo ensinou que as autoridades humanas devem ser honradas (Romanos 13:1). Mas as autoridades humanas são temporárias; a autoridade de Deus está acima de tudo. Portanto, nosso foco principal deve ser viver para agradá-Lo.

Ser confiável como oficial ou administrador significa cumprir a sua missão, concluir o trabalho. Paulo queria que os coríntios se concentrassem em quem ele representava: Jesus Cristo. Paulo faz tudo para agradar a Cristo, e eles também deveriam fazer o mesmo.

Podemos aplicar isso a nós mesmos e aprender com a atitude de Paulo. Todo crente é um administrador de seus dons. A cada um é designada a missão de amar a Deus e amar o próximo. Devemos usar nossos dons para servir aos outros, como Paulo abordará a partir do capítulo 12. Paulo também descreverá a essência do amor no capítulo 13. Em resumo, o amor é a escolha de agir no melhor interesse dos outros, buscando a aprovação de Deus em vez da aprovação dos homens.

A fidelidade, ou seja, ser considerado digno de confiança, também implica obedecer aos ensinamentos de Cristo. Paulo esclarece que os apóstolos e mestres não são donos dos mistérios, mas sim guardiões, administradores encarregados de zelar pela verdade revelada por Deus. Vemos a mesma incumbência dada a Timóteo — um encorajamento para guardar o que recebeu (1 Timóteo 6:20). Jesus, em diversas ocasiões, falou sobre a obediência aos mandamentos de Deus (João 14:15, João 14:21, João 15:10).

Como ele é um mordomo de Deus, Paulo não deveria se preocupar muito com a forma como é julgado pelas pessoas; o que o leva a escrever em seguida: "Mas para mim é coisa muito pequena ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano; na verdade, nem eu mesmo me julgo" (v. 3).

As divisões surgem porque as pessoas examinam diferentes líderes/mestres, como Paulo e Apolo, e decidem a quem devem seguir. Paulo reconhece que está sendo examinado, mas considera isso algo insignificante. Isso porque ele não busca seguidores, mas sim pessoas que sigam a Cristo.

A raiz grega da frase " posso ser examinado" no início do versículo 3, bem como " examinar " no final do versículo 3, é "anakrino". Ela é usada em Atos 4:9 para descrever o ato de ser posto à prova. Também é usada em 1 Coríntios 2:15.

“Mas aquele que é espiritual avalia ['anakrino'] todas as coisas, contudo ele mesmo não é avaliado ['anakrino'] por ninguém.”
(1 Coríntios 2:15)

O julgamento tem sido um tema central em toda esta carta. As pessoas estavam julgando/avaliando/examinando os líderes e tomando partido (1 Coríntios 1:11-12). No capítulo 3, Paulo orientou cada pessoa a se concentrar em seu julgamento iminente diante de Cristo, em vez de se concentrar em julgar os outros (1 Coríntios 3:10). É isso que Paulo pratica, como ele diz a seguir: "Porque não tenho consciência de nada contra mim mesmo; contudo, nem por isso sou justificado; mas quem me examina é o Senhor" (v. 4).

Paulo está dizendo: “Eu sei que alguns dizem 'Eu sigo Paulo' e outros 'Eu sigo Apolo', mas considero isso algo insignificante, porque estou focado no juiz que importa. O verdadeiro julgamento perante o verdadeiro juiz será quando estivermos diante de Jesus” (1 Coríntios 3:11-15, 2 Coríntios 5:10-11). Se alguém diz: “Paulo é incrível, que grande mestre!”, Paulo não está isento de culpa. Com isso, ele quer dizer: “Isso não significa que serei julgado um bom administrador e oficial de Cristo”.

Para um oficial militar, apenas o julgamento do superior hierárquico importa. Para um administrador, apenas o do seu mestre importa. A opinião dos outros é insignificante. Paulo está focado em ser um bom administrador da missão que Cristo lhe confiou. E ele convida todos os crentes a seguirem essa abordagem. Pare de se preocupar com o que as pessoas pensam e concentre-se em agradar ao nosso Mestre, o SENHOR dos Exércitos, que é a autoridade suprema sobre todas as autoridades.

A observação de Paulo serve como uma correção para qualquer crente que coloque a personalidade acima da missão, que eleve a eloquência oratória ou o carisma pessoal acima da substância espiritual. Paulo afirma: " Nem mesmo me examino a mim mesmo" ( v. 3). Se ele decidir: "Estou indo muito bem", isso também não o absolve. Em Mateus 7:22, Jesus conta uma parábola sobre pessoas que comparecem ao julgamento e fazem sua própria avaliação de si mesmas. Descobre-se que a avaliação delas não tem validade.

Paulo reconhece isso. Ele comparecerá perante Cristo. Ele acrescenta: Pois não tenho consciência de nada contra mim mesmo; contudo, nem por isso sou justificado; mas quem me examina é o Senhor (v.4).

Paulo afirma aqui que reconhece que pode estar diante de Jesus completamente alheio a qualquer falta, mas isso não o torna isento de culpa. Jesus decidirá. Ele é o juiz, não Paulo. Paulo comparece diante de Jesus sem qualquer indício de racionalização própria. Ele reconhece que Jesus lhe revelará tudo. Considerando a imagem do julgamento de Cristo para os crentes que Paulo descreveu no capítulo anterior, agora compreendemos a motivação de Paulo. Ele examina a si mesmo, razão pela qual pode dizer: "Não tenho consciência de nada contra mim mesmo". Contudo, ele deixa o veredicto completamente nas mãos de Cristo.

Isso nos dá uma ideia do porquê Paulo era tão motivado a ser fiel. Ele reconhecia que sua própria opinião sobre seus atos não tinha valor algum. Ele não estabelecia o padrão, Jesus o estabelece. É por isso que ele dirá mais adiante nesta carta que cada crente deve reconhecer que “apenas um recebe o prêmio” em uma corrida. Então, ele diz: “Corram de tal maneira que alcancem o prêmio” (1 Coríntios 9:24).

Paulo poderia dizer: "Não tenho consciência de nada contra mim mesmo " e concluir: "Portanto, posso relaxar". Mas ele faz o oposto. Ele diz: "Quem me examina é o Senhor", e concentra sua atenção em viver de acordo com os padrões dEle. É por isso que ele dirá mais tarde: "Disciplino o meu corpo" para ganhar o prêmio de agradar a Deus, o verdadeiro juiz de todos (1 Coríntios 9:27). Podemos ver que Paulo também disciplina a sua mente.

Paulo disciplina sua mente escolhendo intencionalmente uma perspectiva verdadeira. Ele opta por crer que Deus é o verdadeiro juiz, portanto, não devemos fingir que podemos usurpar Sua autoridade julgando os outros.

Portanto, não julguem antes do tempo devido, mas esperem até que o Senhor venha, o qual trará à luz as coisas ocultas nas trevas e revelará as intenções dos corações dos homens; e então cada um receberá de Deus o seu louvor (v. 5).

Haverá um tempo para julgar. Mas esse tempo será quando o Senhor vier. Será Ele quem julgará. Portanto, se julgarmos os outros, criaremos divisões, o que é ruim e não resistirá ao julgamento de Deus, sendo, portanto, inútil. É por isso que Paulo os exorta a parar de julgar.

Podemos observar as ações das pessoas, mas não conhecemos as motivações de seus corações. Deus é o verdadeiro juiz, que nos conhece melhor do que nós mesmos, julgando tanto nossos pensamentos quanto nossas intenções.

"Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração."
(Hebreus 4:12)

É notável que, no julgamento, quando o Senhor vier, Ele trará à luz as coisas ocultas nas trevas e também revelará as motivações dos corações dos homens. O contexto indica que as motivações dos corações dos homens serão reveladas a cada pessoa por Deus, razão pela qual, então, cada homem receberá louvor da parte de Deus.

Algumas pessoas elogiavam Paulo, dizendo: “Eu sou de Paulo” (1 Coríntios 1:12, 3:4). Paulo não busca esse tipo de elogio. Ele busca o louvor que virá de Deus. E ele exorta todos os crentes de Corinto a fazerem o mesmo. Quando tomamos Cristo como medida, nosso padrão de vida e ensino se eleva acima da flutuação das respostas humanas.

Paulo não se exalta, mas reconhece que sua vida, motivações e ministério estão sujeitos ao olhar perscrutador de Jesus (2 Coríntios 5:10-11). Colocar a perspectiva de Deus em primeiro lugar nos liberta da preocupação excessiva com a aprovação humana. A visão e a humildade de Paulo provêm de uma perspectiva enraizada na redenção pelo poder da cruz e em sua identidade como uma nova criatura em Cristo, como ele afirma em 2 Coríntios 5:14-17 e Filipenses 2:5-8.

A expressão " o tempo" dentro da frase maior "Portanto, não julguem antes do tempo" refere-se ao tempo da volta de Jesus. Com a Sua volta virá o Seu julgamento do mundo (Mateus 25:31-32, Atos 17:31, 2 Timóteo 4:1, João 5:22, 27). A palavra "Portanto" conecta essa perspectiva de esperar que Jesus julgue com o versículo anterior que diz: "Aquele que me examina é o Senhor".

A questão é: “Já que Jesus é o juiz, vamos parar de criar divisões julgando uns aos outros, pois esse não é o nosso papel”. Jesus também acrescentou outra perspectiva que deve nos levar a submeter o julgamento a Ele. Ele disse:

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que vocês julgarem, vocês serão julgados; e a medida com que vocês medirem, também será usada para medir vocês.”
(Mateus 7:1-2)

Aqui encontramos uma motivação adicional para adiar o julgamento, pois, neste versículo, Jesus revela que qualquer padrão que usemos para julgar os outros será usado por Deus para nos julgar. Esta é uma aplicação do segundo maior mandamento: amar o próximo como a nós mesmos (Mateus 22:36-39). Devemos julgar os outros apenas pelo mesmo padrão pelo qual desejamos ser julgados. Mas há também uma versão divina dessa regra de ouro, o princípio da misericórdia, que diz que Deus nos tratará como tratarmos os outros.

Podemos observar esse princípio da misericórdia, de que Deus concede misericórdia àqueles que a concedem aos outros, como um tema central do Sermão da Montanha. Alguns exemplos, além de Mateus 7:1-2, são:

  • O ponto central da Oração do Senhor, onde Deus nos diz para orarmos para que sejamos perdoados somente na medida em que perdoamos os outros (Mateus 6:12). Jesus explica por que esse é o ponto central em Mateus 6:14-15, onde Ele articula o princípio da misericórdia, de que Deus nos trata como tratamos os outros.
  • Em Mateus 5:38-46, Jesus exorta seus discípulos a amarem aqueles que os odeiam e a fazerem pelos outros o que não podem retribuir, para que sejam recompensados como "filhos" e recebam tesouros no céu.
  • Em Mateus 5:7, Jesus declara claramente o princípio da misericórdia: aqueles que praticam a misericórdia a receberão em troca.

A avaliação final de nossas vidas e ministérios será revelada naquele tempo em que o Senhor vier; quando Ele retornar à Terra. Paulo enfatiza que julgamentos prematuros sobre motivações ou fidelidade não têm valor. Isso porque somente Deus vê as coisas ocultas nas trevas (v. 5). Nas Escrituras, a luz muitas vezes representa a verdade de Deus brilhando nas áreas escondidas do coração humano (Salmo 139:1-24).

Culturalmente, a antiga Corinto era um centro de comércio e de diversas vozes filosóficas, o que poderia ter incentivado opiniões precipitadas e julgamentos rápidos. Mas o apóstolo exorta os crentes a se absterem de tais tendências. Se Deus é o juiz legítimo que trará à luz todas as coisas (v. 5), então os crentes devem exercer paciência e graça ao avaliar os outros.

Certamente, este não é o caminho de menor resistência na era das redes sociais, onde o julgamento parece ser a norma e a misericórdia é escassa. A admoestação para os crentes é que mantenham os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita de Deus (Hebreus 12:2).

Jesus recebeu a grande recompensa de ter toda a autoridade sobre o céu e a terra por sua fidelidade (Mateus 28:18). Essa era a “alegria que lhe fora proposta”. Devemos estar continuamente “fixando os olhos em Jesus” e seguindo o seu exemplo. Paulo exorta os crentes a terem a mesma mentalidade, perspectiva ou “atitude” que Jesus tinha e a aprenderem a obediência, deixando de lado os seus próprios desejos e seguindo o plano e o desígnio do Pai, pelo qual Ele foi grandemente recompensado (Filipenses 2:5-10).

Jesus promete uma recompensa igualmente grandiosa a todos os crentes que vencerem a tentação de seguir o mundo e a si mesmos, assim como Ele venceu (Apocalipse 3:21).

O ensinamento de Paulo ressoa com a parábola do joio contada por Jesus (Mateus 13:24-30). O ponto central dessa parábola é que o joio infrutífero e o trigo vivificante não são facilmente distinguidos no campo. Sua verdadeira natureza é revelada na colheita. Assim também acontece com os corações julgadores. Deus será quem trará à luz as coisas ocultas nas trevas e revelará as motivações dos corações dos homens.

A frase "então cada um receberá de Deus o seu louvor" aponta novamente para o nosso desejo de honra, recompensa e afirmação longe do mundo, cujas recompensas perecem. Em vez disso, direciona nossa busca por recompensa para Deus, cujas recompensas jamais perecerão (Mateus 6:19-20).