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Isaías 40:6-8
6 Eis a voz do que diz: Clama. E respondeu um: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a sua glória como a flor do campo;
7 seca-se a erva, e cai a flor, porque o hálito de Jeová nela assopra; na verdade, o povo é erva.
8 Seca-se a erva, cai a flor, mas a palavra do nosso Deus subsistirá para sempre.
Isaías 40:6-8 explicação
Isaías 40:6-8 contrasta toda a carne humana, que seca como a erva ao sopro do Senhor, com a palavra do nosso Deus, que permanece para sempre — a passagem citada em 1 Pedro 1:24-25 para descrever o evangelho eterno.
Esta passagem começa por apresentar outra voz não identificada: Uma voz diz: "Grite!" Então ele respondeu: "O que devo gritar?" Toda a carne é erva, e toda a sua formosura é como a flor do campo (v. 6).
Uma segunda voz entra com uma ordem para proclamar, e uma voz respondendo pergunta qual mensagem ele deve proclamar.
A mensagem transmitida é uma sentença que se aplica a toda a raça humana, cujo ponto principal é que todas as coisas humanas são temporais, que não duramos para sempre nesta terra, mas as coisas de Deus são eternas. A declaração começa com uma imagem que afirma que a natureza temporal da vida nesta terra se aplica a todos: toda a carne é erva (v. 6).
Nas colinas de Judá, as chuvas de inverno deixam todas as encostas verdes em fevereiro; no início do verão, as mesmas encostas estão marrons. A grama é a imagem bíblica da humanidade medida em relação ao tempo (Salmo 90:5-6, 103:15-16, Tiago 1:10-11).
Assim como a grama tem um período de crescimento e depois morre, os seres humanos têm uma vida limitada. Tiago 1:10 usa essa imagem da vida passageira para apontar aqueles que vivenciam circunstâncias prósperas para o que é eterno, em vez de se apoiarem em riquezas que não durarão. E isso se aplica a toda a humanidade.
A palavra traduzida como "beleza" na frase "sua beleza é como a flor do campo " (v. 6) também pode ser traduzida como "constância". Ambos os sentidos se aplicam aos seres humanos, e a questão é que tudo o que é atraente ou confiável na vida humana dura apenas por um curto período. As flores desabrocham e logo murcham. A vida humana é efêmera e, portanto, não é algo em que se possa confiar. Mas a palavra de Deus é eterna e confiável.
Portanto, esta palavra de consolo proferida por Deus é algo em que Israel pode confiar. Sua certeza contrasta com as mudanças de estação que afetam a grama e as flores. O consolo que se baseia na durabilidade humana morre com os humanos em quem se baseia. A geração deportada em 586 a.C. morreria em grande parte na Babilônia — a carta de Jeremias aos exilados dizia-lhes claramente para construírem casas, plantarem jardins e casarem seus filhos, porque o retorno estava previsto para dali a setenta anos (Jeremias 29:5-10).
E a carne inclui impérios. A Babilônia, o poder que parecia permanente o suficiente para engolir Judá por completo, caiu para o rei persa Ciro em 539 a.C., em menos de uma geração após a destruição de Jerusalém. Todas as forças humanas nesse drama — cativos e captores — eram como flores ou erva, murchando rapidamente. O versículo seguinte afirma isso explicitamente: "A erva seca, a flor cai, quando o sopro do Senhor sopra sobre ela; certamente o povo é erva" (v. 7).
A palavra para fôlego é "ruah", palavra hebraica que também significa vento e espírito. A imagem imediata que nos vem à mente é a do vento leste escaldante vindo do deserto, capaz de escurecer uma encosta verde em poucos dias. Por trás do vento está o próprio fôlego do SENHOR: a duração de nossas vidas está sujeita ao Seu poder. O mesmo fôlego que formou o homem do pó e lhe deu vida (Gênesis 2:7) se retira, e o salmista mantém ambos unidos: "Tiras-lhes o espírito, e eles expiram... Envias o teu Espírito, e eles são criados" (Salmo 104:29-30). No caso de Judá, o fôlego expirou por ordem de Deus. A Babilônia era o agente de Deus para fazer cumprir Sua aliança/tratado com o Seu povo.
Certamente o povo é como a erva (v. 7), reiterando a ênfase na brevidade da vida humana. Tiago usa uma imagem semelhante para a brevidade da vida, afirmando: "Vocês são como a neblina que aparece por um instante e logo se dissipa" (Tiago 4:14). A própria mortalidade dos exilados, as mortes sofridas no cerco, as mortes que já se acumulavam na Babilônia, o desaparecimento da geração que se lembrava de Jerusalém — o versículo descreve a condição deles, mas a amplia para abranger a experiência de toda a humanidade.
Esta é simplesmente a vida após a Queda. Contudo, embora tudo debaixo do sol seja passageiro, a palavra de Deus é firme e confiável: "A erva seca, e a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus permanece para sempre " (v. 8). Isso é relevante para esta passagem de consolo porque Judá sofreu devastação total. O povo provavelmente ainda está em estado de choque. Tudo parece estar em constante mudança. Como pode haver consolo? A resposta de Deus é que o consolo pode vir por meio de Suas promessas, e Sua palavra é imutável. Suas promessas são irrevogáveis (Romanos 11:29).
O primeiro verso do versículo 8 repete o primeiro verso do versículo 7 palavra por palavra. E o segundo verso de ambos os versículos coloca a exceção ao lado: o espírito de Deus no versículo 7 e a palavra de Deus no versículo 8.
O fato de a palavra de Deus permanecer reflete a sua permanência. A palavra em questão é a que acabamos de proferir neste capítulo: o consolo prometido em Isaías 40:1, o pagamento anunciado em Isaías 40:2 e a glória vindoura garantida pela boca do Senhor em Isaías 40:5. Todos os que ouviram essa promessa morreriam antes de seu cumprimento completo, mas a promessa em si sobreviveria a todos eles e permaneceria verdadeira. A palavra de Deus jamais falha. Ela permanece para sempre.
Isaías retoma esse axioma perto do final do livro, onde a palavra que sai da boca de Deus "não voltará para mim vazia, sem cumprir o que me apraz" (Isaías 55:11). Jesus declara o mesmo axioma sobre a sua própria fala: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão" (Mateus 24:35).
Pedro cita toda essa passagem (vv. 6-8) e menciona a palavra eterna para a igreja: "Toda a humanidade é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi anunciada" (1 Pedro 1:24-25). O argumento de Pedro nessa passagem é que a palavra do evangelho é imutável. A promessa de libertação do evangelho é precisamente o que está sendo abordado nessa passagem.
Deus promete a Israel um Messias que virá, trazendo salvação dos pecados e restauração da nação. Isso se cumprirá, e nada o impedirá, porque o Senhor falou. O Verbo se fez carne, habitou entre nós e morreu pelos nossos pecados. E essa palavra foi então pregada pelos discípulos de Jesus, incluindo Pedro.
A palavra que permanece para sempre é o evangelho pregado pelos apóstolos, e Pedro mostra que o mesmo destino aguarda os crentes: aqueles que nascem de novo, "não de semente perecível, mas imperecível" (1 Pedro 1:23), compartilham da durabilidade da palavra que os gerou. O povo frágil, semelhante à erva, que nasce do Espírito por meio da Palavra eterna, herda a sua eternidade. Essa é a raiz do consolo nesta passagem: Deus ancora a esperança das pessoas mortais no único elemento de sua situação que perdura: Suas próprias promessas.
Pedro também fala das promessas de Deus como algo através do qual aqueles que creem em Jesus podem "tornar-se participantes", escapando "da corrupção que há no mundo pela concupiscência". Ao andarmos segundo a natureza de Cristo, podemos escapar da destruição causada pelas concupiscências do mundo. Essa caminhada é uma caminhada de fé e amor perseverantes (2 Pedro 1:5-7).