Tito 3:12-15 conclui esta carta e fornece instruções finais a Tito. Paulo informa Tito para encontrá-lo na Grécia, se possível, antes do inverno. Paulo aconselha Tito a pedir aos cretenses que arrecadem dinheiro para ajudar a comprar a passagem e a comida de Zenas e Apolo (que parecem ser os mensageiros desta carta) quando partirem de Creta. Esta seria mais uma oportunidade para os cretenses praticarem boas obras em benefício do próximo. Paulo se despede com uma saudação final e uma bênção.
Tito 3:12-15 contém as despedidas e instruções pessoais de Paulo a Tito. Embora toda a carta seja dirigida a Tito, é provável que Paulo quisesse que partes dela fossem lidas às igrejas em Creta (Tito 2:15). Essas observações finais contêm informações para Tito sobre como interagir com outros crentes específicos:
Quando eu enviar Artemas ou Tíquico a vocês, façam todo o possível para virem me encontrar em Nicópolis, pois decidi passar o inverno lá (v. 12).
Desde as observações iniciais em Tito, Paulo contextualizou o motivo pelo qual Tito ainda estava em Creta enquanto ele já havia partido: "Por esta razão, deixei-te em Creta, para que pusesses em ordem o que ainda faltava e constituísses presbíteros em cada cidade, como te ordenei" (Tito 1:5).
A partir dessas observações finais, podemos ver que o plano é que Artemas ou Tíquico venham a Creta depois que Tito terminar de estabelecer os presbíteros e pôr em ordem o que ainda falta. O tempo de Tito em Creta foi apenas temporário. Ele e Paulo haviam fundado essas igrejas, mas quando chegou a hora de partir, as igrejas estavam aparentemente em desordem devido à falta de liderança e à presença de falsos mestres que buscavam ganhar influência (Tito 1:10-11).
Tito foi deixado para trás com a missão de instituir líderes fortes, guiar os crentes cretenses rumo a uma vida sensata e lidar com os falsos mestres em seu meio. A intenção de Paulo era enviar Ártemas ou Tíquico para trazer Tito até Paulo, ou talvez para assumir o lugar de Tito como presbítero interino, a fim de garantir ainda mais o crescimento e a integridade das igrejas cretenses.
Tíquico foi um amigo leal e um grande ajudante de Paulo. Ele acompanhou Paulo no final de sua terceira viagem missionária de volta a Jerusalém (Atos 20:4), antes da prisão de Paulo. Tíquico também realizou muitas tarefas para Paulo por todo o mundo mediterrâneo, servindo como mensageiro de Paulo para entregar várias de suas cartas à igreja durante o período em que esteve preso.
Tíquico é mencionado diversas vezes nas cartas de Paulo como alguém confiável, prestativo e encorajador. Em sua carta aos Efésios, Paulo envia Tíquico — a quem chama de "irmão amado e fiel ministro no Senhor" — para informar os efésios sobre a condição e o ministério de Paulo como prisioneiro romano e para "consolar os vossos corações" (Efésios 6:21-22; 2 Timóteo 4:12). Em sua carta aos Colossenses, Paulo mais uma vez chama Tíquico de "amado", "fiel" e "companheiro de serviço no Senhor", enviando-o também para informar os colossenses sobre as circunstâncias de Paulo e encorajá-los (Colossenses 4:7-8).
Provavelmente na mesma viagem para atualizar a Epístola aos Colossenses, Tíquico acompanhou o escravo fugitivo Onésimo de volta a Colossos, levando a carta de Paulo ao empregador de Onésimo, Filemon, um companheiro na fé, instando Filemon a libertar Onésimo, que também havia se convertido a Jesus (Colossenses 4:9,Filemon 1:10-19).
Quanto a Artemas, esta é a única referência a ele pelo nome no Novo Testamento. Ele era obviamente alguém em quem Paulo confiava. Algumas tradições da igreja afirmam que ele foi um dos setenta que Jesus enviou durante o seu ministério (Lucas 10:1-12) e que mais tarde se tornou bispo de Listra.
Assim que Ártemas ou Tíquico vieram a Tito em nome de Paulo, este pediu a Tito que deixasse Creta e fizesse todo o possível para ir ao seu encontro em Nicópolis, pois Paulo havia decidido passar o inverno lá. Nicópolis era uma cidade na costa oeste da Grécia, em frente à Itália (Tito 3:12). A travessia do Mar Mediterrâneo nem sempre era segura. Ao longo de suas viagens missionárias e da ida a Roma, Paulo e seus companheiros tiveram que trocar de navio em vários portos para chegar a determinados destinos (Atos 13:4, 13; 16:11; 27:1-2, 6; 28:11). Paulo insistia para que Tito fizesse todo o possível para chegar a Nicópolis.
Talvez ele tenha escrito com urgência para que Tito chegasse a Nicópolis antes do auge do inverno. Paulo sabia por experiência própria como o Mar Mediterrâneo era intransitável no final do outono e durante os meses de inverno, devido às tempestades e ventos violentos (Atos 27:7-44). Essa informação também nos dá uma ideia de quão breve seria a estadia de Tito em Creta. Embora não saibamos quando ele recebeu a carta, parece que o plano era que ele partisse antes do inverno ou mesmo do outono daquele mesmo ano.
Paulo menciona outros membros de sua equipe ministerial: “Ajude diligentemente Zenas, o advogado, e Apolo em sua jornada, para que nada lhes falte” (v. 13). Com base nesse versículo, parece que Zenas e Apolo talvez tenham entregado esta carta de Paulo a Tito. Esta é a única menção a Zenas, o advogado, na Bíblia. Seu nome significa “dom de Zeus”, então ele provavelmente era grego.
Apolo provavelmente era o mesmo Apolo que pregou em Éfeso e, posteriormente, em Corinto (1 Coríntios 3:5-6, 16:12). Ele era um judeu nascido em Alexandria, Egito. Lucas, o autor de Atos, descreve Apolo em termos elogiosos, dizendo que ele era um "homem eloquente... poderoso nas Escrituras... instruído no caminho do Senhor... fervoroso no espírito... ajudou grandemente aqueles que creram pela graça, pois refutava poderosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo" (Atos 18:24-28).
Se Apolo foi um dos mensageiros desta carta, provavelmente prestou grande auxílio a Tito no ensino dos crentes cretenses e no combate aos falsos mestres durante sua estadia em Creta. Contudo, parece que Zenas e Apolo não permaneceram muito tempo em Creta, pois Paulo exorta Tito a ajudá-los e a custear sua partida, instruindo-o a auxiliá-los diligentementeem sua jornada, para que nada lhes falte. Isso incluiria coisas como dinheiro para a passagem de navio e comida. Todas as suas necessidades devem ser atendidas.
Paulo parece apresentar uma oportunidade para os novos crentes cretenses realizarem boas obras, apoiando a viagem de regresso de Zenas e Apolo: O nosso povo também deve aprender a praticar boas obras para satisfazer as necessidades urgentes, para que não sejam infrutíferos (v. 14).
Ao que parece, "nosso povo" se refere aos jovens crentes que são o tema desta carta, e que, além das várias boas obras e bons comportamentos que Paulo identificou para eles praticarem, esta era mais uma boa obra e uma maneira pela qual eles poderiam demonstrar obediência a Deus: eles também devem aprender a praticar boas obras para suprir necessidades urgentes.
A referência às necessidades urgentes, feita logo após a instrução para ajudar Zenas e Apolo em sua jornada, sem que lhes faltasse nada, parece indicar que Paulo queria que Tito recolhesse uma oferta das igrejas cretenses para garantir que os dois mensageiros tivessem meios suficientes para viajar de Creta até o seu próximo destino designado.
A expressão "boas ações para suprir necessidades urgentes" parece se referir à caridade, à doação de dinheiro para ajudar os necessitados. Zenas e Apolo tinham necessidades urgentes, aparentemente tendo comprado apenas uma passagem de ida para Creta. Mas, para que não fossem infrutíferos, os crentes cretenses poderiam praticar boas ações arrecadando dinheiro suficiente para as necessidades urgentes dos mensageiros de Paulo ao deixarem Creta.
Em Gálatas 6:6-8, Paulo ensinou aos crentes que deveriam compartilhar financeiramente com aqueles que lhes ministravam a palavra. Ele prometeu que Deus recompensaria ricamente aqueles que semeiam em Seu reino. Esse mesmo ensinamento se reflete aqui. Isso ocorre mesmo que Paulo tenha se recusado manifestamente a pedir ofertas para seu próprio sustento (1 Coríntios 9:15).
Paulo se despede: Todos os que estão comigo vos saúdam. Saúdam também os que nos amam na fé. A graça seja com todos vós (v. 15).
Paulo não especifica quem são "todos os que estão comigo". Não podemos afirmar com certeza de onde Paulo está enviando esta carta, apenas que seus planos futuros são passar o inverno em Nicópolis, na costa oeste da Grécia. Mas Paulo era frequentemente acompanhado por parceiros e colaboradores no ministério (Atos 13:4-5, 20:4, 27:2, Colossenses 4:7-14, Filemom 1:23-24). Quem quer que estivesse com Paulo naquele momento também conhecia Tito e queria cumprimentá -lo e desejar-lhe sucesso no estabelecimento das novas igrejas em Creta.
Paulo também pede a Tito que cumprimente aqueles que nos amam na fé. Visto que Tito está em Creta, Paulo parece estar se referindo a alguns dos crentes cretenses, talvez aqueles que se tornaram amigos de Paulo e Tito durante sua missão e que estavam ajudando Tito a expulsar os falsos mestres e a discipular os crentes cretenses imaturos, possivelmente homens que Tito nomearia para presbitérios (Tito 1:5-9). Esses eram crentes que amavam Paulo e seus companheiros de ministério na fé. Há unidade e comunhão entre esses grupos, contrastando com a divisão e a imaturidade que afligiam os outros crentes cretenses.
Paulo conclui sua carta com uma bênção comum, mas significativa: A graça seja com todos vocês. Graça (em grego, "charis") significa favor. No contexto bíblico, refere-se mais frequentemente ao favor de Deus para com o homem, embora possa se referir de forma geral ao favor (como Jesus crescendo "em graça diante de Deus e dos homens", significando que as pessoas com quem Ele cresceu o consideravam favorável, alguém de quem gostavam — Lucas 2:52).
Aqui, Paulo está simplesmente concluindo sua epístola com uma declaração de "melhores votos". Ele espera e ora para que o favor de Deus esteja com todos vocês — Tito, os novos presbíteros, os jovens crentes cretenses e até mesmo os falsos mestres, para que possam conhecer a verdade e andar nela, arrependendo-se de seus ensinamentos imprecisos e das perturbações que causou.
O favor de Deus nunca é algo que se possa exigir. Não existe nenhum padrão fora de Deus ao qual possamos apontar e dizer: "Eu mereço o Teu favor porque fiz isso". Deus é o padrão. Todos os padrões existentes O refletem. Portanto, orar pela misericórdia de Deus para que Ele nos conceda o Seu favor é sempre apropriado, mesmo que acreditemos estar agindo corretamente (1 Coríntios 10:12).
A esperança de Paulo era que as igrejas cretenses prosperassem, fossem sensatas e obedecessem à palavra de Deus, e não aos sistemas humanos concorrentes que buscavam explorá-las. Ele desejava que todos os crentes fossem "sãos na fé", "renunciando à impiedade e às paixões mundanas e vivendo de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo" (Tito 1:13, 2:12-13).
Tito 3:12-15
12 Quando eu enviar Ártemas ou Tíquico a ti, procura vir ter comigo a Nicópolis, porque tenho resolvido passar ali o inverno.
13 Ajuda a Zenas, doutor da lei, e a Apolo na sua viagem, para que nada lhes falte.
14 Que os nossos aprendam a ser os primeiros a praticar boas obras para as coisas que são necessárias, a fim de que não sejam infrutuosos.
15 Todos os que estão comigo te saúdam. Saúda àqueles que nos amam na fé. A graça seja com todos vós.
Tito 3:12-15 explicação
Tito 3:12-15 contém as despedidas e instruções pessoais de Paulo a Tito. Embora toda a carta seja dirigida a Tito, é provável que Paulo quisesse que partes dela fossem lidas às igrejas em Creta (Tito 2:15). Essas observações finais contêm informações para Tito sobre como interagir com outros crentes específicos:
Quando eu enviar Artemas ou Tíquico a vocês, façam todo o possível para virem me encontrar em Nicópolis, pois decidi passar o inverno lá (v. 12).
Desde as observações iniciais em Tito, Paulo contextualizou o motivo pelo qual Tito ainda estava em Creta enquanto ele já havia partido: "Por esta razão, deixei-te em Creta, para que pusesses em ordem o que ainda faltava e constituísses presbíteros em cada cidade, como te ordenei" (Tito 1:5).
A partir dessas observações finais, podemos ver que o plano é que Artemas ou Tíquico venham a Creta depois que Tito terminar de estabelecer os presbíteros e pôr em ordem o que ainda falta. O tempo de Tito em Creta foi apenas temporário. Ele e Paulo haviam fundado essas igrejas, mas quando chegou a hora de partir, as igrejas estavam aparentemente em desordem devido à falta de liderança e à presença de falsos mestres que buscavam ganhar influência (Tito 1:10-11).
Tito foi deixado para trás com a missão de instituir líderes fortes, guiar os crentes cretenses rumo a uma vida sensata e lidar com os falsos mestres em seu meio. A intenção de Paulo era enviar Ártemas ou Tíquico para trazer Tito até Paulo, ou talvez para assumir o lugar de Tito como presbítero interino, a fim de garantir ainda mais o crescimento e a integridade das igrejas cretenses.
Tíquico foi um amigo leal e um grande ajudante de Paulo. Ele acompanhou Paulo no final de sua terceira viagem missionária de volta a Jerusalém (Atos 20:4), antes da prisão de Paulo. Tíquico também realizou muitas tarefas para Paulo por todo o mundo mediterrâneo, servindo como mensageiro de Paulo para entregar várias de suas cartas à igreja durante o período em que esteve preso.
Tíquico é mencionado diversas vezes nas cartas de Paulo como alguém confiável, prestativo e encorajador. Em sua carta aos Efésios, Paulo envia Tíquico — a quem chama de "irmão amado e fiel ministro no Senhor" — para informar os efésios sobre a condição e o ministério de Paulo como prisioneiro romano e para "consolar os vossos corações" (Efésios 6:21-22; 2 Timóteo 4:12). Em sua carta aos Colossenses, Paulo mais uma vez chama Tíquico de "amado", "fiel" e "companheiro de serviço no Senhor", enviando-o também para informar os colossenses sobre as circunstâncias de Paulo e encorajá-los (Colossenses 4:7-8).
Provavelmente na mesma viagem para atualizar a Epístola aos Colossenses, Tíquico acompanhou o escravo fugitivo Onésimo de volta a Colossos, levando a carta de Paulo ao empregador de Onésimo, Filemon, um companheiro na fé, instando Filemon a libertar Onésimo, que também havia se convertido a Jesus (Colossenses 4:9, Filemon 1:10-19).
Quanto a Artemas, esta é a única referência a ele pelo nome no Novo Testamento. Ele era obviamente alguém em quem Paulo confiava. Algumas tradições da igreja afirmam que ele foi um dos setenta que Jesus enviou durante o seu ministério (Lucas 10:1-12) e que mais tarde se tornou bispo de Listra.
Assim que Ártemas ou Tíquico vieram a Tito em nome de Paulo, este pediu a Tito que deixasse Creta e fizesse todo o possível para ir ao seu encontro em Nicópolis, pois Paulo havia decidido passar o inverno lá. Nicópolis era uma cidade na costa oeste da Grécia, em frente à Itália (Tito 3:12). A travessia do Mar Mediterrâneo nem sempre era segura. Ao longo de suas viagens missionárias e da ida a Roma, Paulo e seus companheiros tiveram que trocar de navio em vários portos para chegar a determinados destinos (Atos 13:4, 13; 16:11; 27:1-2, 6; 28:11). Paulo insistia para que Tito fizesse todo o possível para chegar a Nicópolis.
Talvez ele tenha escrito com urgência para que Tito chegasse a Nicópolis antes do auge do inverno. Paulo sabia por experiência própria como o Mar Mediterrâneo era intransitável no final do outono e durante os meses de inverno, devido às tempestades e ventos violentos (Atos 27:7-44). Essa informação também nos dá uma ideia de quão breve seria a estadia de Tito em Creta. Embora não saibamos quando ele recebeu a carta, parece que o plano era que ele partisse antes do inverno ou mesmo do outono daquele mesmo ano.
Paulo menciona outros membros de sua equipe ministerial: “Ajude diligentemente Zenas, o advogado, e Apolo em sua jornada, para que nada lhes falte” (v. 13). Com base nesse versículo, parece que Zenas e Apolo talvez tenham entregado esta carta de Paulo a Tito. Esta é a única menção a Zenas, o advogado, na Bíblia. Seu nome significa “dom de Zeus”, então ele provavelmente era grego.
Apolo provavelmente era o mesmo Apolo que pregou em Éfeso e, posteriormente, em Corinto (1 Coríntios 3:5-6, 16:12). Ele era um judeu nascido em Alexandria, Egito. Lucas, o autor de Atos, descreve Apolo em termos elogiosos, dizendo que ele era um "homem eloquente... poderoso nas Escrituras... instruído no caminho do Senhor... fervoroso no espírito... ajudou grandemente aqueles que creram pela graça, pois refutava poderosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo" (Atos 18:24-28).
Se Apolo foi um dos mensageiros desta carta, provavelmente prestou grande auxílio a Tito no ensino dos crentes cretenses e no combate aos falsos mestres durante sua estadia em Creta. Contudo, parece que Zenas e Apolo não permaneceram muito tempo em Creta, pois Paulo exorta Tito a ajudá-los e a custear sua partida, instruindo-o a auxiliá-los diligentemente em sua jornada, para que nada lhes falte. Isso incluiria coisas como dinheiro para a passagem de navio e comida. Todas as suas necessidades devem ser atendidas.
Os crentes do primeiro século eram generosos na distribuição de apoio financeiro aos pobres e necessitados em sua própria igreja ou em outras igrejas, bem como no apoio a missionários e apóstolos (Atos 2:44-45, 4:32-35, 11:29-30, Romanos 15:25-27, 1 Coríntios 16:1-4, 2 Coríntios 8:1-15, 9:1-15, Gálatas 2:10, Filipenses 4:15-18).
Paulo parece apresentar uma oportunidade para os novos crentes cretenses realizarem boas obras, apoiando a viagem de regresso de Zenas e Apolo: O nosso povo também deve aprender a praticar boas obras para satisfazer as necessidades urgentes, para que não sejam infrutíferos (v. 14).
Ao que parece, "nosso povo" se refere aos jovens crentes que são o tema desta carta, e que, além das várias boas obras e bons comportamentos que Paulo identificou para eles praticarem, esta era mais uma boa obra e uma maneira pela qual eles poderiam demonstrar obediência a Deus: eles também devem aprender a praticar boas obras para suprir necessidades urgentes.
A referência às necessidades urgentes, feita logo após a instrução para ajudar Zenas e Apolo em sua jornada, sem que lhes faltasse nada, parece indicar que Paulo queria que Tito recolhesse uma oferta das igrejas cretenses para garantir que os dois mensageiros tivessem meios suficientes para viajar de Creta até o seu próximo destino designado.
A expressão "boas ações para suprir necessidades urgentes" parece se referir à caridade, à doação de dinheiro para ajudar os necessitados. Zenas e Apolo tinham necessidades urgentes, aparentemente tendo comprado apenas uma passagem de ida para Creta. Mas, para que não fossem infrutíferos, os crentes cretenses poderiam praticar boas ações arrecadando dinheiro suficiente para as necessidades urgentes dos mensageiros de Paulo ao deixarem Creta.
Em Gálatas 6:6-8, Paulo ensinou aos crentes que deveriam compartilhar financeiramente com aqueles que lhes ministravam a palavra. Ele prometeu que Deus recompensaria ricamente aqueles que semeiam em Seu reino. Esse mesmo ensinamento se reflete aqui. Isso ocorre mesmo que Paulo tenha se recusado manifestamente a pedir ofertas para seu próprio sustento (1 Coríntios 9:15).
Paulo se despede: Todos os que estão comigo vos saúdam. Saúdam também os que nos amam na fé. A graça seja com todos vós (v. 15).
Paulo não especifica quem são "todos os que estão comigo". Não podemos afirmar com certeza de onde Paulo está enviando esta carta, apenas que seus planos futuros são passar o inverno em Nicópolis, na costa oeste da Grécia. Mas Paulo era frequentemente acompanhado por parceiros e colaboradores no ministério (Atos 13:4-5, 20:4, 27:2, Colossenses 4:7-14, Filemom 1:23-24). Quem quer que estivesse com Paulo naquele momento também conhecia Tito e queria cumprimentá -lo e desejar-lhe sucesso no estabelecimento das novas igrejas em Creta.
Paulo também pede a Tito que cumprimente aqueles que nos amam na fé. Visto que Tito está em Creta, Paulo parece estar se referindo a alguns dos crentes cretenses, talvez aqueles que se tornaram amigos de Paulo e Tito durante sua missão e que estavam ajudando Tito a expulsar os falsos mestres e a discipular os crentes cretenses imaturos, possivelmente homens que Tito nomearia para presbitérios (Tito 1:5-9). Esses eram crentes que amavam Paulo e seus companheiros de ministério na fé. Há unidade e comunhão entre esses grupos, contrastando com a divisão e a imaturidade que afligiam os outros crentes cretenses.
Paulo conclui sua carta com uma bênção comum, mas significativa: A graça seja com todos vocês. Graça (em grego, "charis") significa favor. No contexto bíblico, refere-se mais frequentemente ao favor de Deus para com o homem, embora possa se referir de forma geral ao favor (como Jesus crescendo "em graça diante de Deus e dos homens", significando que as pessoas com quem Ele cresceu o consideravam favorável, alguém de quem gostavam — Lucas 2:52).
Aqui, Paulo está simplesmente concluindo sua epístola com uma declaração de "melhores votos". Ele espera e ora para que o favor de Deus esteja com todos vocês — Tito, os novos presbíteros, os jovens crentes cretenses e até mesmo os falsos mestres, para que possam conhecer a verdade e andar nela, arrependendo-se de seus ensinamentos imprecisos e das perturbações que causou.
O favor de Deus nunca é algo que se possa exigir. Não existe nenhum padrão fora de Deus ao qual possamos apontar e dizer: "Eu mereço o Teu favor porque fiz isso". Deus é o padrão. Todos os padrões existentes O refletem. Portanto, orar pela misericórdia de Deus para que Ele nos conceda o Seu favor é sempre apropriado, mesmo que acreditemos estar agindo corretamente (1 Coríntios 10:12).
A esperança de Paulo era que as igrejas cretenses prosperassem, fossem sensatas e obedecessem à palavra de Deus, e não aos sistemas humanos concorrentes que buscavam explorá-las. Ele desejava que todos os crentes fossem "sãos na fé", "renunciando à impiedade e às paixões mundanas e vivendo de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo" (Tito 1:13, 2:12-13).