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1 Coríntios 15:1-2 explicação

1 Coríntios 15:1-2 exorta os coríntios a se lembrarem da mensagem do evangelho que Paulo lhes ensinou. Eles creram nela, pois são irmãos e irmãs de Paulo em Cristo, mas precisam vivê-la diariamente para serem salvos do poder do pecado. De nada adianta crer em Cristo em nosso dia a dia se não vivermos nossa fé, vivendo no poder de Deus e não no poder do pecado.

Em 1 Coríntios 15:1-2, Paulo reafirma o evangelho que os coríntios receberam, no qual estão firmados e pelo qual estão sendo salvos, como fundamento para seu ensino sobre a ressurreição. Ele apresenta esse evangelho a eles novamente em uma única frase:

Eu vos lembro, irmãos, o evangelho que vos anunciei, o qual também recebestes, e no qual estais firmes (v 1).

Paulo inicia sua carta reafirmando algo que os coríntios já possuíam. "Eu vos lembro" (v 1) introduz uma notícia antiga apresentada com nova ênfase. A congregação ouviu este evangelho quando Paulo chegou a Corinto pela primeira vez, provavelmente cerca de quatro anos antes desta carta. Ele permaneceu em Corinto por cerca de 18 meses (Atos 18:11). Quando chegou a Corinto, não se apresentou como forte, mas como fraco. Estava decidido a não saber nada entre eles, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado (1 Coríntios 2:2-3).

Ele chama seus leitores de irmãos, uma linguagem familiar que usou ao longo da carta, mesmo ao corrigi-los, sinalizando que o que se segue se dirige a crentes que se desviaram para a confusão sobre uma verdade que antes abraçavam.

Três cláusulas traçam a história deles com o evangelho. Eles o receberam, um ato consumado de acolhimento na conversão. Eles permanecem nele, uma postura presente; o evangelho é o alicerce sob seus pés, a posição a partir da qual tudo o mais na vida cristã é conduzido. E eles são salvos por ele, um verbo presente e contínuo. Aquilo de que os crentes coríntios já foram salvos é da penalidade do pecado, que é a separação de Deus. Mas eles precisam de libertação contínua do poder do pecado por meio de andar no Espírito para obter a experiência mais plena da vida.

As Escrituras falam da salvação em três tempos verbais: os crentes são libertos da pena do pecado no momento em que creem (Efésios 2:8-9). Esta é uma libertação definitiva, baseada unicamente na obra de Jesus na cruz. Seu sacrifício foi único, definitivo, e pagou todas as dívidas do pecado por todo o mundo (Hebreus 7:27, 9:12, 10:10, Colossenses 2:14). Não podemos acrescentar nem subtrair nada do pagamento de Jesus com base em nossas obras (Efésios 2:8-9, Romanos 4:1-4, 8:33).

Mas os crentes ainda possuem uma natureza pecaminosa e precisam de libertação presente. Os crentes em Jesus são libertos do poder do pecado à medida que caminham pela fé (Filipenses 2:12-13). A palavra grega "soteria", usada em Filipenses 2:12, é a forma substantiva de "sozo", frequentemente traduzida como "salvar". Podemos ver que "sozo" significa "algo é libertado de algo", com o contexto determinando o que está sendo libertado e por meio de quê, a partir de passagens como Mateus 8:25 e Mateus 9:21.

Em Mateus 8:25, os discípulos clamaram "Salva-nos, Senhor!" quando temeram se afogar em uma tempestade. O contexto deixa claro que eles estavam pedindo para serem libertados da morte física. Em Mateus 9:21, uma mulher argumentou: "Se eu lhe tocar somente a capa, ficarei curada." Os tradutores traduziram "sozo" como "ficarei curada" porque o contexto indica que a mulher desejava ser libertada de sua doença.

Passagens como Tiago 1:21 usam "salvar" para falar de libertação do poder do pecado em nossas vidas diárias. Tiago 1:21 diz que podemos "salvar" ou libertar nossas vidas (ou "almas") da "maldade" ao deixá-la de lado e substituí-la pela palavra de Deus, implantando-a em nós.

O contexto imediato afirma que a tentação não vem das circunstâncias, mas de dentro de nós mesmos. Temos a "luxúria" que cresce dentro de nós, dá à luz e traz a morte quando permitida a se manifestar (Tiago 1:14-15). O ponto que Tiago transmite aos crentes a quem se dirige, exortando-os a perseverar nas provações e a fortalecer sua fé, é que temos pecado dentro de nós e devemos escolher seguir a Deus para deixá-lo de lado e evitar seu poder de nos trazer a morte.

O terceiro tempo verbal de "salvação" é o futuro. No futuro, todo crente será liberto da presença do pecado na ressurreição (Romanos 13:11). Todo crente será liberto da própria presença do pecado quando receber um novo corpo, livre da carne e de seus desejos--justamente aquilo que Tiago nos exorta a deixar de lado. Na era vindoura, com novos corpos, todo crente será liberto dessa batalha.

A aplicação do tempo presente da expressão "pelo qual sois salvos" no versículo 2 aponta para uma libertação contínua no presente, que o último capítulo relacionará ao trabalho constante, ao esforço diligente e às boas obras (1 Coríntios 16:13-16). Embora todo crente seja salvo da penalidade do pecado somente pela graça de Deus, como afirmado em Efésios 2:8-9, todo crente também é propositado e designado como uma nova criação em Cristo para praticar boas obras, como afirmado em Efésios 2:10.

Os crentes são salvos da penalidade do pecado somente por Cristo, independentemente de obras (Efésios 2:8-9). Os crentes são então libertos da futilidade da Queda, que nos separa do nosso propósito divino, quando vivemos as boas obras que Jesus preparou para nós (Efésios 2:10).

É por isso que a cláusula " se é que o conservais, como vo-lo preguei, salvo se crestes em vão" condiciona a salvação (v 2). O uso que Paulo faz de "salvo" no versículo 2 remete ao evangelho mencionado no versículo 1. O evangelho é a boa notícia de que Deus nos salvou, nos salva e nos salvará. Ele abrange o passado, o presente e o futuro. Os crentes foram salvos da separação de Deus quando creram; nesse momento, foram inseridos em Cristo como uma nova criação e se tornaram filhos eternos. Os crentes serão salvos da presença do pecado no futuro, quando forem viver com Jesus para sempre.

Mas, na vida presente, ser salvo do poder contínuo do pecado, que nos leva a consequências adversas, depende de nos apegarmos firmemente à palavra de Deus. Como Tiago afirma, é a palavra que pode dissipar a maldade dos nossos desejos mais profundos (Tiago 1:21). É escolhendo andar pela fé, crendo que a palavra de Deus nos conduz a uma vida melhor do que aquela oferecida pelo mundo, que somos salvos das consequências adversas do pecado. Isso é o mesmo que Paulo afirma em Romanos 1:16-17, quando diz que o evangelho dá o poder da salvação a todos os que creem, desde o princípio da fé (receber o dom) até a fé contínua ("o justo viverá pela fé").

É a palavra ingerida, a palavra crida e a palavra vivida que salva os crentes das consequências adversas do pecado. A principal consequência do pecado é a morte (Tiago 1:15, Romanos 6:23). "Morte" significa separação, como podemos ver em Tiago 2:26, que define a morte física como a separação do corpo e do espírito. O pecado nos separa de andar no Espírito. E quando andamos na carne, sofremos as consequências da carne.

Paulo descreve as consequências adversas para os crentes que vivem em pecado em vários lugares, incluindo:

  • Gálatas 5:19-21, onde ele nomeia as obras que resultam de andar na carne, obras que criam destruição evidente;
  • Gálatas 5:15, onde ele diz que a carne nos leva a "morder e devorar" uns aos outros.
  • Romanos 1:24, 26, 28, onde ele descreve a consequência adversa da busca da luxúria como vício e perda da saúde mental (uma "mente depravada").
  • Romanos 6:16-17, onde Paulo descreve o andar no pecado como escravidão, que leva à morte (Romanos 6:23).
  • Gálatas 6:8, onde se diz que semear para a carne "colhe corrupção".

É importante notar que Paulo escreveu Romanos para um grupo de crentes cuja fé era famosa em todo o mundo (Romanos 1:8). E Paulo escreveu Gálatas para seus próprios filhos na fé (Gálatas 4:19). Esta é uma luta para todos os crentes, em todos os tempos. Até mesmo Paulo disse sobre sua própria luta que fazia coisas que nem queria fazer porque o pecado as fazia através dele (Romanos 7:16-17). Paulo conclui: "Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem" (Romanos 7:18). Todos nós temos uma carne que continuamente deseja fazer o mal e nos leva à destruição. Mas graças a Deus, o evangelho nos dá o poder de sermos libertos da nossa carne todos os dias.

No entanto, a libertação da carne é uma tarefa diária. Requer um constante abandono do ego, da carne, e uma escolha contínua de seguir o Espírito. Começa por reconhecer que a carne é irreformável, que nada de bom habita nela, e então escolher deixá-la de lado e substituí-la pela obediência à palavra de Deus. É por isso que Paulo condiciona a salvação a: pelo qual (o evangelho) sois salvos, se é que o conservais, como vo-lo preguei, salvo se crestes em vão (v 2).

O crente que abandona a palavra apostólica, trocando-a por um substituto que nega a ressurreição, perde o poder estabilizador e transformador do evangelho na vida diária, embora o dom de ser considerado justo dependa unicamente da fé (Romanos 4:3-5). A cláusula final, "salvo se crestes em vão" (v 2), ressalta a triste realidade de que recusar-se a andar no poder do evangelho e sucumbir à carne é uma opção genuína.

Andar segundo a carne anula os benefícios da vida pelo Espírito. É por isso que a escolha entre a carne e o Espírito é apresentada como uma escolha binária (Gálatas 5:16-17). Paulo enfatiza em Gálatas que tentar nos "reformar" seguindo regras é buscar a justificação, o que é insensato (Gálatas 2:17). É insensato para os crentes buscarem a justificação diante de Deus, porque Jesus já nos justificou diante de Deus por meio de sua morte na cruz.

Paulo afirma que, se precisássemos cumprir regras para sermos justificados diante de Deus, então Cristo não precisaria ter morrido (Gálatas 2:21). A resposta, portanto, é descansar em nossa justificação em Cristo, mas também reconhecer que, para experimentar plenamente a vida que nos foi dada, é necessário deixar de lado a carne, ser crucificado com Cristo e viver nossa vida pela fé nEle (Gálatas 2:19-20).