Selecione tamanho da fonteAtivar modo escuroAtivar modo escuro

Tito 3:4-7 explicação

Tito 3:4-7 resume a mensagem do evangelho sobre a compaixão de Deus por nós. Enquanto estávamos em um estado pecaminoso e caído, Deus demonstrou Seu amor enviando Seu Filho para nos salvar. Nada que façamos pode nos livrar da penalidade ou do poder do pecado. Somente a fé na morte e ressurreição de Jesus. Uma vez que cremos, somos salvos para viver para sempre com Deus e somos transformados em novas pessoas pelo poder do Espírito Santo, sendo declarados justos aos olhos de Deus.

Tito 3:4-7 apresenta o evangelho como um lembrete a Tito e aos crentes cretenses da imensa misericórdia e amor que Deus tem por nós, ao nos salvar do pecado e nos transformar em novas criaturas. Anteriormente, Paulo listou instruções finais sobre condutas a serem ensinadas aos jovens crentes cretenses, enquanto refletia sobre quão pecadores e odiosos são os homens longe de Cristo.

Paulo aponta mais uma vez para aquilo que o salvou, a Tito e a todos os que creem, da malícia, da inveja e do ódio:

Mas quando a bondade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor pela humanidade se manifestaram, Ele nos salvou (v. 4-5a).

No capítulo anterior, Paulo escreveu em um ritmo semelhante, onde contrastou o comportamento piedoso com o pecado e, em seguida, louvou “nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus”, que trouxe o favor de Deus e o resgate de nossa pecaminosidade, instruindo-nos sobre como viver retamente (Tito 2:11-14).

Aqui, novamente, Paulo contrasta o comportamento piedoso com o pecado e, em seguida, reforça como Jesus nos salvou do pecado. Parece que Paulo queria que esta carta fosse lida por Tito aos cretenses e está enfatizando a divindade de Jesus e seu papel como salvador para lembrar os cretenses de sua nova vida como crentes.

Isso era especialmente importante porque Tito estava conduzindo os cretenses à verdade do evangelho e os afastando dos falsos mestres, “homens rebeldes, faladores vãos e enganadores”, que “perturbavam famílias inteiras” enquanto se vangloriavam de sua maturidade espiritual, mas na realidade pecavam descaradamente — “detestáveis, desobedientes e indignos de qualquer boa obra” (Tito 1:10-16).

Nos versículos seguintes, Paulo demonstra como o Deus Triúno atua em funções distintas, mas em conjunto, para realizar o plano de salvação da humanidade.

Ele descreve a razão pela qual Deus Filho veio à Terra: foi por causa da bondade de Deus Pai. Vemos a bondade de Deus demonstrada muitas vezes enquanto Jesus caminhava sobre a Terra, onde Ele teve compaixão dos miseráveis e dos perdidos (Mateus 14:14, 15:32, 20:34; Marcos 1:41, 6:34, 8:2; Lucas 7:13, 10:33, 15:20), mostrando compaixão.

"Ao ver as pessoas, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desanimadas como ovelhas sem pastor."
(Mateus 9:36)

Essa era a motivação de Deus antes de Ele vir à Terra; por causa de Sua bondade e Seu amor pela humanidade, Jesus apareceu aos olhos dos homens, viveu uma vida entre Sua criação e nos salvou por meio de Sua morte na cruz e ressurreição dentre os mortos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Este motivo de amor é ensinado repetidamente nos evangelhos e nas epístolas. Deus tem grande amor pela humanidade (Romanos 5:6-8, 8:35-39, Efésios 2:4-7, 3:17-19, Tito 3:4-7, 1 João 3:1, 4:16-19). Foi porque Deus amou tanto o mundo que Seu Filho apareceu (Tito 2:11) e pagou o preço pelos nossos pecados. O apóstolo João escreve que “o amor de Deus se manifestou” quando Jesus foi enviado à Terra (1 João 4:9-10). Jesus era o amor de Deus manifestando-se em pessoa, visível, manifesto e em missão para cumprir Seu plano de nos salvar. Ele nos salvou porque tem compaixão de nós.

Jesus, como Deus, “esvaziou-se a si mesmo” ao deixar de lado sua divindade e tornar-se humano (Filipenses 2:7). Jesus fez isso para agradar ao Pai, cumprindo a Sua vontade (Hebreus 10:7). O Pai pediu a Jesus que morresse por nós por causa do Seu grande amor por nós (João 3:16). E, ao cumprir a vontade do Pai, o nome de Jesus, como humano, foi exaltado acima de todos os nomes (Filipenses 2:9-10).

Paulo se refere a Deus Pai como Deus nosso Salvador e, no versículo 6, chama Jesus Cristo de nosso Salvador. Isso (e o versículo 5) mostra que Deus nos salva por meio de todas as três pessoas de Deus — Pai, Filho e Espírito Santo — e reforça ainda mais a verdade de que Jesus era e é também Deus.

O motivo pelo qual Jesus foi morto foi porque Ele afirmou ser Deus (João 5:17-18, 10:30-33). Jesus era o Messias de Deus, Seu servo ungido, cuja vinda os judeus esperavam, mas não esperavam que Ele fosse o próprio Deus, ou que viesse para morrer pelos nossos pecados. Ao tentarem puni-Lo por afirmar ser Deus, eles ajudaram a cumprir a vontade de Deus (Atos 4:27-28). Jesus veio para morrer (Mateus 20:28, João 10:17-18). Assim, por Seu amor e bondade, Ele nos salvou.

Existem três maneiras pelas quais Jesus nos salvou, nos salva ou nos salvará. Essas três aplicações da salvação podem ser compreendidas em três categorias e três tempos verbais:

Passado: Jesus salvou todos os que creem nele da penalidade do pecado, que é a separação de sua família e de ser seu filho. Os crentes fazem parte de sua família eterna (João 3:14-15, 2 Timóteo 2:11, 13).
Tempo futuro: Um dia, no futuro, Jesus libertará todos os crentes da presença do pecado quando criar um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça (2 Pedro 3:13, Apocalipse 21:1-3). Romanos 13:11 usa “salvação” dessa maneira, dizendo que nossa salvação se aproxima a cada dia, desde o momento em que cremos, porque o contexto se refere à volta de Jesus.
Presente do indicativo: A cada dia, agora, nesta vida, cada crente pode ser liberto do poder do pecado ao andar no poder do Espírito de Deus. O pecado resulta em morte e destruição, separando-nos do propósito para o qual fomos criados. Mas, ao andarmos no poder do Espírito Santo (Gálatas 5:13-17), somos salvos do poder do pecado. É tomando a nossa cruz diariamente e seguindo a Jesus que podemos viver como discípulos, obedecendo aos Seus mandamentos e sendo vencedores que herdarão todas as coisas como recompensa (Lucas 9:23, 2 Timóteo 2:12, Apocalipse 3:21, 21:7).

Paulo faz questão de esclarecer o que nos salvou da pena do pecado. Grande parte desta carta foi escrita para instruir os crentes cretenses sobre como se comportar e quais obras deveriam praticar. Mas não são as nossas obras que nos salvam da pena do pecado:

Ele nos salvou não por obras de justiça que tenhamos feito, mas segundo a sua misericórdia, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (v. 5).

Este era e continua sendo um ponto de incompreensão para os crentes em Cristo. A noção de que nossas obras de justiça influenciam nossa conquista da eternidade é falsa. Não somos perdoados de nossos pecados e justificados diante de Deus apenas por praticarmos boas obras ou demonstrarmos justiça.

Como somos humanos com natureza pecaminosa, nada que façamos pode apagar a mancha de nosso estado corrompido (Efésios 2:1-5). Somente Deus pode purificar essa mancha. Sem Cristo, estamos separados de Deus. Afastamo-nos dEle e não podemos retornar por meio de nossas obras.

A explicação de Paulo de que Ele não nos salvou com base em obras de justiça que tenhamos praticado é evidente por si mesma; se nossas obras nos salvassem, então não seria Jesus quem nos salvaria, seríamos nós mesmos.

Um homem que se afoga e nada até a margem se salva, e de certa forma ele nem estava se afogando. Mas quando um salva-vidas o retira da água e lhe respira de volta, nenhum esforço da parte do homem contribuiu para que ele fosse salvo. Sozinho, um homem se afogaria e morreria. Foi o agente externo — o salva-vidas — que interveio e o salvou da morte.

Foi segundo a misericórdia de Jesus que Ele nos salvou. A palavra misericórdia é traduzida do grego "eleos", que aparece frequentemente nas Escrituras para explicar as ações de Deus para conosco. "Eleos" às vezes é traduzido como "compaixão". Está ligado à bondade de Deus, nosso Salvador, e ao Seu amor pela humanidade, que Paulo descreveu anteriormente. Deus olha para nossa condição pecaminosa e caída, da qual não podemos escapar, e tem compaixão de nós. Ele deseja nos restaurar ao nosso estado original de impecabilidade e paz.

É por isso que os seres humanos são frequentemente descritos como "perdidos", "doentes" ou como ovelhas indefesas que precisam de proteção e orientação (Mateus 9:12-13, Marcos 2:17, 6:34, Isaías 1:5-6, 53:6, Salmo 23:1, Lucas 19:10, 1 Pedro 2:25, Ezequiel 34:5-6). Deus quer nos resgatar da morte e da separação. Não podemos nos livrar de nossa natureza pecaminosa por mérito próprio. Não podemos fazer o bem o suficiente para compensar o mal. Jesus veio para cancelar nossas dívidas impagáveis (Colossenses 2:14).

Ele é tão justo quanto misericordioso (Deuteronômio 32:4, Isaías 30:18, Eclesiastes 3:17). Para satisfazer a justiça, foi necessário pagar pelos nossos pecados (Efésios 1:7, Hebreus 9:22). Ele fez isso por nós, à sua própria custa, oferecendo-se como sacrifício (Hebreus 9:12). Jesus se tornou maldição por nós e estendeu a bênção prometida a Abraão a todos os povos (Gálatas 3:13-14).

Foi segundo a Sua misericórdia que Deus agiu para nos salvar. A forma como Ele nos salva é descrita como o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo. A palavra regeneração é traduzida do grego “palingenesia”. A palavra “palin” significa “de novo” ou “novamente” e “genesia” significa “fonte” ou “nascimento”. É semelhante à descrição de Cristo ao fariseu confuso Nicodemos de que o homem deve “nascer de novo” para ver o reino de Deus (João 3:5-8).

Paulo descreve nossa regeneração como algo que vem por meio de uma lavagem. Somos lavados, ou mais literalmente banhados ou batizados em Sua justiça. A imagem é a de algo sujo que é mergulhado em um banho purificador e retirado do banho em um estado de nova limpeza.

Quando cremos em Jesus como nosso salvador, experimentamos essa purificação espiritual da regeneração (“palingenesia”). Algo coberto de sujeira não é feito de sujeira, pois a sujeira está apenas na superfície, e uma vez removida, a coisa é restaurada ao que realmente é. Contudo, quando somos espiritualmente purificados de nossos pecados, somos transformados em algo novo. Nascemos de novo para uma nova vida. Em 2 Coríntios 5:17, Paulo descreve esse processo como Deus transformando os crentes em uma nova criação em Cristo.

A história da humanidade é um longo desvio da vontade de Deus. Fomos criados como criaturas perfeitas em um ambiente perfeito, mas, por meio da escolha do pecado, caímos. E conosco, o mundo também caiu. Deus está em processo de nos restaurar ao Seu propósito original e a algo ainda melhor.

Deus está fazendo mais do que simplesmente nos restaurar à mesma condição original de inocência que Adão e Eva experimentaram antes de pecar. Ele está nos transformando em algo novo para que possamos cumprir nosso propósito original sem jamais nos desviarmos novamente. Essa purificação da regeneração nos tira da água do banho como uma nova coisa, uma nova criação. Paulo associa a palavra regeneração à palavra renovação (em grego, “anakainōsis”). Essa palavra demonstra que nos tornamos melhores do que antes.

Na analogia de um homem se afogando (nós) que é trazido em segurança para a margem pelo salva-vidas (Jesus), é como se, após ser resgatado do afogamento, o homem fosse restaurado a uma saúde e força ainda maiores do que antes, de modo que nunca mais possa se afogar. Deus está nos transformando em um estado melhor, uma condição melhor, nos ressuscitando da morte não apenas para a vida, mas para uma vida que nunca terá fim.

A purificação e renovação acontecem pelo Espírito Santo. Embora Jesus seja quem nos purifica, o Espírito Santo é, em certo sentido, o sabão no banho que nos limpa. Podemos ver isso ao longo do livro de Atos, onde as pessoas chegam à fé e imediatamente recebem o Espírito Santo para habitar nelas, às vezes demonstrando Sua presença ao serem capacitadas a falar em línguas estrangeiras para louvar a Deus (Atos 2:1-4, 10:44-46, 19:5-6).

A purificação e renovação pelo Espírito Santo foram profetizadas em Ezequiel 36:25-27:

“Então aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão purificados; eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos. Além disso, darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo dentro de vocês; removerei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.”

Paulo traça a ligação entre o Espírito e Jesus: que Ele derramou abundantemente sobre nós por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador (v. 6). O Espírito é Aquele que foi derramado sobre nós. A linguagem do banho e da lavagem continua, como se o Espírito tivesse sido derramado sobre nós como um cântaro de água para purificação.

Aquele que derramou o Espírito é Deus, aparentemente o Pai, pois Paulo então consolida essa imagem concluindo que foi por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, que o Espírito foi derramado. Este versículo é uma representação da Trindade — Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas em um só Deus, e os papéis que desempenham.

Deus Pai derramou o Espírito Santo por meio de Deus Filho. Foi por causa de Jesus Cristo, nosso Salvador, que pudemos receber o Espírito. Ao crermos em Jesus Cristo, nosso Salvador, o Espírito é derramado sobre nós (Atos 2:38, Efésios 1:13). Paulo usa o adjetivo "abundantemente " para descrever a fartura e a generosidade com que Deus nos presenteia com o Seu Espírito. Ele o derramou sobre nós abundantemente, não de forma parcimoniosa ou escassa.

O Espírito Santo que habita em cada crente age como um Auxiliador. Jesus prometeu que Ele ajudaria os Apóstolos a se lembrarem dos ensinamentos de Cristo e a saberem as palavras certas a dizer (Lucas 24:49, João 14:16-17, 26, 15:26, 16:7). Ele os capacitou a realizar milagres. Ele habita em todos os crentes, nos sela e vive em nós como garantia de nossa futura entrada na presença de Deus quando morrermos e passarmos para a vida eterna (Efésios 1:13-14). Sua presença em nossos corações é uma promessa metafórica de futura libertação para o reino de Deus (Romanos 13:11).

O Espírito nos encoraja, nos dá força e nos guia para vivermos corretamente diante de Deus e rejeitarmos o pecado em nossas escolhas diárias (Gálatas 5:18, Romanos 8:14, 26, Efésios 3:16, Filipenses 2:1). Embora Jesus tenha retornado ao Céu por um tempo, Deus permanece conosco na pessoa do Espírito Santo.

No Antigo Testamento, apenas certos indivíduos eram habitados pelo Espírito Santo, e por períodos limitados de tempo — o Espírito os deixava, geralmente devido à desobediência (1 Samuel 18:12, Salmo 51:11, Isaías 63:10). Mas agora, por causa de Jesus Cristo, nosso Salvador, que torna justos aos olhos de Deus aqueles que creem, o Espírito permanece com os que creem e não os deixará.

Em João 16:7, Jesus disse aos discípulos que seria melhor para eles que Ele partisse, pois se Ele não partisse, o Consolador — referindo-se ao Espírito Santo — não viria. A implicação é que os crentes estão em melhor situação com o Espírito Santo do que com Jesus na Terra. Isso faz sentido, visto que o ministério do Espírito Santo é capacitar cada crente com o poder da ressurreição de Jesus. O Espírito Santo está sempre nos guiando, sempre nos incentivando a seguir a vontade de Deus. Ele está sempre resistindo à carne e nos encorajando a não segui-la (Gálatas 5:17).

Mas a carne também está sempre intervindo. Essa batalha entre a carne e o Espírito se trava em nossa mente, em nossa alma. O Espírito pode ser extinto se persistirmos no pecado deliberado (1 Tessalonicenses 5:19-22), se dermos ouvidos à nossa carne e cedermos a ela.

É nossa escolha andar no Espírito ou na carne. O Espírito Santo está conosco, tendo sido abundantemente derramado sobre nós, primeiro nos purificando com regeneração e renovação, e depois persistindo como nosso Auxiliador, nosso Intermediário (Romanos 8:26-27), nos dando força e direção para nos tornarmos mais semelhantes a Jesus a cada dia que escolhemos obedecê-Lo e dar o Seu fruto (Filipenses 2:5-10, Gálatas 3:27, 5:16-17, 22-25). Diariamente, quando andamos no poder do Espírito, somos salvos/libertos das consequências adversas do pecado.

Paulo conclui esta lembrança da obra e do papel da Trindade em nos salvar da pena do nosso pecado:

para que, justificados por sua graça, nos tornássemos herdeiros segundo a esperança da vida eterna. (v. 7).

A graça de Deus é o Seu favor. Deus concede o Seu favor por razões próprias. Como vemos em 1 Pedro 5:5, Deus “dá graça aos humildes”. Isso significa que, às vezes, Deus concede o Seu favor aos crentes, recompensando-os pela humildade. Mas isso acontece porque Deus assim o decidiu. O favor de Deus nunca é dado porque pode ser exigido. Não existe um padrão pelo qual alguém possa dizer a Deus: “Tu deves me recompensar porque eu cumpri este padrão”. Deus é o padrão.

No caso da salvação eterna, Deus nos concede Seu favor simplesmente porque nos ama (João 3:16). E recebemos essa salvação unicamente pela fé. Basta confiarmos em Jesus para recebermos o dom da graça de Deus, para sermos redimidos do pecado.

Sua graça nos justificou aos Seus olhos. O sacrifício de Jesus pagou pelos nossos pecados, de uma vez por todas (Hebreus 9:12). Somos declarados justos pela fé, assim como Abraão foi declarado justo por causa da sua fé (Romanos 4:3, 5). Embora sejamos pecadores e estejamos separados de Deus, e não possamos nos regenerar, Deus nos olhou com favor quando enviou Seu Filho para morrer por nós.

Somos justificados aos olhos de Deus, declarados justos em Sua conta, por causa do pagamento perfeito de nossos pecados por Seu Filho e da vida ressurreta que Ele dá àqueles que creem (Romanos 5:1, 8:29, 1 Coríntios 2:16, 2 Coríntios 5:21).

Agora, justificados pela Sua graça, seríamos feitos herdeiros. Há dois tipos de herança mencionados no Novo Testamento: a condicional e a incondicional. Paulo distingue essas duas heranças em Romanos 8:17-18, afirmando que os crentes são herdeiros de Deus (incondicional) e também herdeiros que compartilham a herança de Cristo, com uma condição "se" para indicar que essa herança é recebida somente se sofrermos a rejeição do mundo e a vencermos como Cristo venceu. Ser herdeiro de Deus, onde a reconciliação com Deus é a nossa herança, é incondicional. Ele é Deus Pai. Todos os que creem em Jesus são feitos Seus filhos, e isso é um dom incondicional (Romanos 11:29).

Outra maneira de encarar essa herança como herdeiros é vê-la pela perspectiva de Israel. Deus concedeu a terra de Israel aos descendentes de Abraão como uma promessa (Gênesis 15:18). Mas a primeira geração, ao sair do Egito, deveria tomar posse de sua herança por meio de um ato de fé, atravessando o rio Jordão e conquistando a terra. A primeira geração se recusou e, portanto, não tomou posse de sua herança. Deus não os rejeitou; Deus era a herança deles, apesar da recusa em agir pela fé. Como Deus deixou claro, Ele escolheu Israel porque os amava e amava seus pais (Deuteronômio 7:7-8).

Hebreus 3:12-19 usa o exemplo da falta de fé da primeira geração na promessa de Deus para mostrar aos crentes do Novo Testamento que nós também podemos deixar de receber a recompensa da nossa herança se não andarmos pela fé:

“Pois nos tornamos participantes de Cristo, se conservarmos firme até o fim a nossa confiança inicial.”
(Hebreus 3:14)

Participar da comunhão com Cristo é compartilhar de Sua herança e reinar com Ele. Embora Deus seja sempre a nossa herança, porque fomos justificados aos Seus olhos por meio de Cristo, possuir a recompensa plena da nossa herança requer uma caminhada de fé.

Compartilhar a herança de Cristo significa reinar com Cristo em Seu reino. Esta é uma grande recompensa para aqueles que são testemunhas fiéis e não temem a rejeição, a perda ou a morte no mundo. Ser “glorificado com Ele” é compartilhar do Seu reinado, “entrar na alegria” do nosso Mestre e ser colocado “sobre muitas coisas” (Mateus 25:21). Em Apocalipse, Jesus diz que deseja recompensar os crentes (Seus servos) que vencerem como Ele venceu, compartilhando com eles o Seu trono de autoridade (Apocalipse 3:21).

Aqui em Tito 3, Paulo descreve a herança da vida eterna recebida pela graça de Deus. O versículo 7 também pode ser traduzido como: sendo justificados pela Sua graça, seremos feitos herdeiros “da vida eterna, segundo a esperança”. Receberemos a vida eterna quando morrermos, porque iremos estar com Deus e viver para sempre com Ele. É nisso que depositamos nossa esperança. Este é um futuro que ainda não temos.

Paulo descreve essa mesma esperança em sua carta aos Romanos.

"Pois na esperança fomos salvos; ora, a esperança que se vê não é esperança, pois quem espera por aquilo que já vê? Mas, se esperamos o que não vemos, com perseverança o aguardamos."
(Romanos 8:24-25)

Essa esperança da vida eterna era um consolo para Paulo. Deveria ser um consolo para todos os que creem, porque não importa o que soframos nesta vida, e independentemente de nossas falhas, no fim dela iremos para um lar eterno e viveremos em harmonia com o nosso Criador. Paulo, que sofreu muito durante a sua vida, desejava acima de tudo estar com o Senhor Jesus.

"Portanto, estamos sempre confiantes e sabemos que, enquanto estivermos no corpo, estaremos ausentes do Senhor. Pois vivemos pela fé e não pelo que vemos. Temos confiança, digo, e preferimos estar ausentes do corpo e presentes com o Senhor."
(2 Coríntios 5:6-8)

Somos chamados a viver vidas ativas de serviço e fidelidade nesta vida (Efésios 6:6, Romanos 12:1, 1 Pedro 2:16, Gálatas 5:13), assim como Jesus fez (Mateus 20:26-28, Lucas 22:27). Mas devemos antecipar aquilo que ainda não podemos ver, aquilo que esperamos, que é a essência da fé (Hebreus 11:1). Assim como Jesus suportou a rejeição deste mundo com os olhos fixos na alegria de se assentar à direita do Pai na glória do Céu (2 Coríntios 4:17-18, Hebreus 12:2), também nós devemos ser mordomos fiéis para que possamos entrar na alegria do nosso Mestre e sermos recompensados com grandes responsabilidades no Seu reino (Mateus 25:21).